Abitrigo vê cenário mais desafiador para o mercado de trigo e alerta para alta nos custos da moagem
Associação aponta combinação de menor oferta nacional, maior dependência de importações e instabilidade internacional como fatores que elevam a pressão sobre a cadeia do trigo
11:11

O mercado brasileiro de trigo enfrentará um cenário mais desafiador no final de 2026, marcado pela redução da produção nacional, maior necessidade de importações e custos internacionais elevados. A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).
Segundo a entidade, a combinação desses fatores aumenta a pressão sobre a cadeia brasileira de moagem e amplia a complexidade das operações da indústria.
O Brasil permanece dependente das importações, principalmente da Argentina, o que torna o abastecimento interno sensível às oscilações do mercado global. Para o presidente-executivo da entidade, Rubens Barbosa, qualquer instabilidade externa afeta diretamente os custos, a disponibilidade e a previsibilidade do fornecimento do cereal.
No cenário internacional, a associação destaca que a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, somada às tensões no Oriente Médio, mantém os mercados de commodities sob pressão. Esse contexto eleva despesas com energia, combustíveis, fretes, seguros e logística, encarecendo a importação do trigo e dificultando o planejamento da indústria moageira.
No mercado interno, a Abitrigo observa que fatores climáticos e econômicos reduziram a área cultivada e devem resultar em uma safra 23,5% menor em 2026, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A entidade também ressalta que o excesso de chuvas no Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, pode comprometer a produtividade, a qualidade dos grãos e o volume disponível da colheita, elevando a necessidade de importações em 2027 em 1,9 milhão de toneladas.
Outro ponto de preocupação é o mercado de farelo de trigo. Conforme a associação, a queda nos preços do milho reduziu o valor desse coproduto, diminuindo uma importante fonte de receita da moagem e pressionando os custos de produção e da farinha.
Apesar do cenário, a Abitrigo afirma que não há risco de desabastecimento no mercado brasileiro. Segundo a entidade, o setor permanece mobilizado para garantir o fornecimento contínuo de trigo, mas reforça que o momento exige planejamento, gestão de riscos e monitoramento permanente das condições de mercado.Assuntos:
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