A
Agrion deu mais um passo em seu plano de expansão ao lançar, em 28 de outubro, a pedra fundamental de uma fábrica de
fertilizantes organominerais dentro da
Usina Cerradão, em Frutal (MG). Com investimento inicial de
R$ 46 milhões, o empreendimento já está em construção e tem previsão de iniciar as operações em junho de 2027.A unidade deverá produzir inicialmente 70 mil toneladas por ano, utilizando resíduos da indústria sucroenergética, como torta de filtro e vinhaça.A parceria com a Cerradão, segundo o CEO da Agrion,
Ernani Judice, está alinhada à estratégia de instalar fábricas junto a grupos com operações consolidadas e demanda própria por fertilizantes.“A gente sempre procura usinas de quem manda, principalmente famílias de usineiros que são tradicionais e que sabem gerir bem seus negócios. A Cerradão se encaixava muito bem nisso”, afirmou Judice, em entrevista ao
Universo Uagro no dia 30 de outubro.A fábrica de Frutal será a terceira unidade industrial da companhia. A primeira opera desde o fim de 2023 em parceria com a
Bioenergética Aroeira, em Tupaciguara (MG). Outra está em construção em Ibirarema (SP), com a Enersugar e a NovAmérica, e deve entrar em funcionamento em fevereiro de 2027. Com as três plantas, a empresa pretende acelerar sua presença no mercado brasileiro.“Temos um pipeline com várias usinas negociando para fazer novas plantas. A expectativa é entregar dez plantas no total nos próximos anos”, disse o executivo.
De olho no mercado norte-americano
A ambição, porém, não se limita ao Brasil. A Agrion negocia um projeto para instalar uma fábrica nos
Estados Unidos, seguindo o mesmo modelo de integração com usinas de cana-de-açúcar. A iniciativa ainda não foi concluída, mas, segundo Ernani, as conversas estão avançadas.“Ainda não está fechado, mas está bem avançado para a gente fazer o mesmo modelo lá com usina de cana, exportando tecnologia e vendendo fertilizante organomineral”, explicou.Na avaliação do executivo, as restrições ambientais ao uso de fertilizantes convencionais e os custos elevados dos produtos de liberação gradual criam espaço para alternativas que aproveitam resíduos locais.“Os fertilizantes de liberação gradual, de slow release, nos Estados Unidos são muito caros, são sintéticos [...] Tem muita geração de torta de filtro, de resíduo, e não tem a solução que a gente tem”, afirmou.A aproximação com o grupo de usinas na Flórida também passou, segundo o executivo, por contatos relacionados a um projeto em Belize, na América Central, vinculado ao
Green Climate Fund, da
Organização das Nações Unidas (ONU).Judice ressalta, contudo, que o mercado doméstico continuará no centro da estratégia, “O nosso crescimento aqui no Brasil é muito maior, tem quase 400 usinas [...] O mercado é bem mais abrangente.”
Fertilizantes mais sustentáveis e redução de custos
A expansão da Agrion ocorre em um cenário de preocupação com os custos dos fertilizantes e a dependência brasileira de insumos importados. O modelo da companhia busca enfrentar esses desafios ao transformar resíduos da produção sucroenergética, como a torta de filtro, em fertilizantes organominerais, combinando benefícios econômicos e ambientais.Na prática, a Agrion assume a gestão da compostagem, compra os resíduos das usinas parceiras e fornece fertilizantes para suas lavouras, comercializando o excedente no mercado. Segundo Judice, esse modelo pode gerar uma economia direta de aproximadamente
R$ 20 milhões por ano para uma usina, além de proporcionar ganhos médios de
10% na produtividade agrícola.Na frente ambiental, o executivo destaca que os organominerais podem reduzir em cerca de
30% o consumo de NPK. Ele também cita um estudo realizado com a SGS, segundo o qual o fertilizante da Agrion apresenta
pegada de carbono 36% menor em comparação ao fertilizante mineral tradicional, considerando todo o ciclo de vida.“Eu não transporto o resíduo, eu não tenho custo alto de energia, de gás, é tudo ali conectado com a usina com custo menor”, destacou Judice.