Produtor rural precisa investir em capacitação nas áreas de finanças, gestão e governança
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Fonte: Freepik
Da porteira para dentro o produtor rural brasileiro é competitivo, mas precisa investir em capacitação nas áreas de finanças, gestão e governança. "O agro não vai quebrar, mas o produtor pode quebrar, com os recursos mudando de mãos." Este foi um dos recados transmitidos pelo chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, nesta quarta-feira (14), no Fórum Agro, realizado pelo Empresômetro e o IBPT, na capital paulista.Nesta agenda, a advogada e produtora rural, Cristiane Steinmetz, co-fundadora da Rede UMA (União das Mulheres do Agro), lembrou que "mais produtividade por hectare deixou de significar mais rentabilidade".Maior exportador Por meio de ganhos de produtividade por hectare, que geram o chamado efeito poupa-terra, o agronegócio brasileiro já mostrou que aumentar produção agrícola sem abertura de novas áreas é "modus operandi" do setor. Fazendo um recorte para os grãos, por exemplo, dados compilados pela Embrapa, a partir de estatísticas oficiais mostram que, no intervalo entre 1974 e 2021, o rendimento médio das lavouras cresceu cerca de 2,69% ao ano. Em termos absolutos, a produtividade média saltou de 1,3 mil kg/ha, em 1974, para 3,7 mil kg/ha, em 2021, avanço de aproximadamente 183%, ou 2,8 vezes no período."Nos últimos 50 anos, saímos de importador de alimentos para país exportador. Em volume embarcado, o Brasil deve ultrapassar os Estados Unidos como o maior exportador mundial líquido de produtos agrícolas em 2027", assinalou Spadotti.Recente projeção do renomado jornal inglês "Financial Times" estima que o Brasil deve atingir este marco ainda em 2026. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro atingiram o recorde de US$ 169,2 bilhões, alta de 3%, e responderam por 48,5% das vendas externas do país, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). "E tudo isso foi obtido com a manutenção em todo território nacional de 65% de vegetação nativa", ressaltou o chefe-geral da Embrapa Territorial, acrescentando, ainda, que da área total dos imóveis rurais no Brasil 51% são destinadas à produção e 49% à preservação ambiental. "É quase metade."De acordo com Spadotti, são números desta magnitude que precisam ser mostrados à comunidade internacional. Há o desafio, claro, de alinhamento de métricas, mas sublinhou o chefe-geral da unidade da Embrapa, "sustentabilidade se prova com dados, é isso que nos dará respaldo para contestar barreiras comerciais, protecionismo disfarçados de questões técnicas de caráter ambiental".Nesta jornada, Spadotti elencou que a elevada dependência da importação de fertilizantes - é preciso estimular a produção doméstica, habilitando novas áreas de mineração de nitrogenados e fosfatados - bem como aumentar o uso de bioinsumos -, além da infraestrutura logística [transporte e armazenagem] - que a despeito de avanços - ainda se mantém como gargalo, são pontos de preocupação que permanecem para o setor.