Alta do petróleo impacta países de forma diferente
É o que mostra estudo da agência da ONU, Unctad, com base em dados de fevereiro a agosto
14:39
Fonte: Alexandre Brum/Petrobras
O choque nos preços do petróleo impacta os países de forma diferente, mostra o Relatório Comércio e Desenvolvimento 2026, apresentado pela agência da ONU sobre o tema, Unctad. Entre fevereiro e agosto, por exemplo, o valor cobrado pelo diesel disparou em 83% na Nigéria comparado a 9% na Irlanda. Em Mianmar, consumidores tiveram acréscimo de 51% no preço da gasolina enquanto a conta dos suecos subiu apenas 3% no mesmo período. Já em Cabo Verde, o país de língua portuguesa no oeste da África, a alta foi de 51,7%.De acordo com a pesquisa, o impacto para os lares e indivíduos vai além do posto de gasolina. Combustíveis mais caros têm um efeito dominó e fazem subir os demais bens de consumo. Com isso, sobre menos dinheiro para outros bens essenciais. A alta no preço dos combustíveis também ativa o choque.Políticas domésticas e dependência de fontes importadas de energia dão o tom de como a crise se espalha. O conflito no Oriente Médio interrompeu o fornecimento de energia e fez os preços do petróleo dispararem.Alta de seguir até fim de 2026O Brent, a referência global para o petróleo, ultrapassou a marca de US$ 120 o barril, recuando para perto de US$ 70 em junho e, na sequência, voltou a ultrapassar a marca de US$ 100. Para as empresas que compram combustível, a queda nos custos durou pouco.Em setembro, os contratos futuros com entrega prevista até o final de 2026 também estavam cotados acima de US$ 100 o barril, um patamar mais de US$ 30 acima dos níveis registrados antes do conflito, aponta o relatório.A tendência de alta deve perdurar até o fim deste ano. Isto pode manter elevados os gastos com combustível e transporte para empresas e famílias.Impacto no bolso do consumidorComo o choque do petróleo chega às bombas de combustível? Impostos, subsídios e regras internas de precificação influenciam o valor pago pelos motoristas. As taxas de câmbio também afetam o custo do combustível importado.Reduzir a exposição a choques futuros exige mudanças de longo prazo. O relatório da Unctad defende uma maior diversificação das fontes de energia e investimentos em fontes renováveis a preços acessíveis. O documento aponta que, em mais de 90% dos casos, as energias renováveis são mais baratas do que as alternativas baseadas em combustíveis fósseis, mesmo as mais econômicas, para a geração de eletricidade.