Barreiras comerciais devido aos antimicrobianos podem se repetir com micotoxinas
De ocorrência natural a partir de fungos, estas substâncias químicas, que apresentam determinados níveis de toxicidade, são capazes de contaminar alimentos e rações, trazendo riscos à saúde de animais e humanos
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Fonte: Shutterstock
O embargo da União Europeia às carnes, ovos e mel do Brasil, devido ao uso de antimicrobianos em desconformidade às regras do bloco europeu, na produção nacional destes alimentos, em particular na pecuária e em granjas de aves e suínos, pode se repetir no caso das micotoxinas. O alerta é de Augusto Heck, gerente técnico da área na DSM-firmenich, empresa global de nutrição, saúde e beleza, e que no agro atua com tecnologias para sanidade e ganhos de produtividade, especialmente para bovinocultura.As micotoxinas são substâncias químicas, que apresentam determinados níveis de toxicidade, produzidas por fungos filamentosos (bolores) capazes de contaminar alimentos e rações, e que trazem riscos à saúde de animais e humanos. São comuns em grãos - soja, milho, trigo - daí o risco de rejeição por parte de países importadores a carregamentos contaminados.Segundo o especialista, a chegada do que vem sendo chamado de um Super El Niño pode favorecer a ocorrência de micotoxinas, em razão do aumento das chuvas [umidade], bem como de temperaturas elevadas [calor] em regiões geográficas específicas e de forma distinta. "Criam-se condições propícias para proliferação de fungos e consequentemente de micotoxinas, nas lavouras ou em locais de armazenagem."Heck pondera que a erradicação das micotoxinas é inviável - já que se trata de algo que surge/ocorre naturalmente -, mas o produtor rural pode adotar algumas medidas para mitigar eventuais riscos de contaminação da produção: escolha de cultivares mais robustas, identificar e segregar os grãos por qualidade micotoxicológica, manter locais de armazenagem com umidade e temperaturas controladas, uso de produtos antifúngicos na lavoura, entre outras.