Uso de biocombustíveis para biobunker está mais maduro do ponto de vista regulatório internacional
No caso do combustível sustentável de aviação, aceite enfrenta divergências sobre critérios de descarbonização, além de componente político
08:18
Fonte: Mapa
Do ponto de vista regulatório, com base na deliberação das instituições que regem a aviação e a navegação internacional, os biocombustíveis estão, no momento, sendo mais bem aceitos e, portanto, têm mais mercado para uso em navios do que em aviões.A avaliação é de Heloísa Borges, ex-servidora da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia (MME), que falou com exclusividade com a reportagem do Portal Uagro, no último dia 26 de agosto, na capital paulista, durante a entrega da 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro, organizado pela Bayer e a Abag.Cumprindo período de quarentena após saída da pasta, Heloisa explica que o Brasil conseguiu no âmbito da Organização Marítima Internacional (OMI ou IMO, do inglês International Maritime Organization), comprovar o potencial de descarbonização dos biocombustíveis, com base em critérios aceitos na comunidade internacional."Já no Corsia, o cenário está diferente". O Corsia (Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation) é o sistema global criado pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) para monitorar, reduzir e compensar as emissões de dióxido de carbono (CO₂) geradas por voos internacionais.Heloisa, que compôs a delegação brasileira nas negociações com ambas instituições, explica que os critérios considerados no Corsia se baseiam numa média internacional, sem aceitar qualquer tipo de especificidade, que para o Brasil é fundamental, devido ao grau de sustentabilidade de nossa produção - diferentemente de outros países. "Por exemplo, a Europa ainda vê competição entre terra para produção de alimentos e de energia, o que no Brasil não existe, há complementariedade. Há componente político na decisão do Corsia."