Biocombustíveis são fundamentais para meta net zero do setor automobilístico
Somente a transição por meio de carros elétricos será insuficiente para alcance do status de emissão líquida zero até 2050
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A maior parte das fabricantes de automóveis têm como meta global atingir o status de "net zero" relacionado às emissões de gases de efeito estufa até 2050. Nesta agenda, considerando a análise do ciclo de vida - que mede o impacto ambiental em toda jornada de produção, da mineração ao descarte do veículo, não apenas a partir do abastecimento em si - os biocombustíveis, com destaque para o etanol, são imprescindíveis.Este foi um dos recados que o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, destacou em palestra no último dia 27 de agosto, em encontro do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "De nada adianta um carro ser elétrico se ao plugá-lo na tomada de abastecimento se puxa uma energia que vem de uma fonte suja, de origem fóssil."Segundo Nastari, os biocombustíveis são fundamentais para descarbonização porque carregam o atributo original do processo de sequestro de carbono por meio da fotossíntese, bem como por todo o pacote de boas práticas, em particular do agro brasileiro - do plantio direto à fixação biológica de nitrogênio, entre outras -, que elevam o potencial de sumidouro de CO2 da atividade agropecuária nacional. "No Brasil, não há competição por terra entre produção de alimentos e biocombustíveis. Por aqui, na verdade, há complementariedade."Em sua exposição, o presidente da DATAGRO elencou números que demonstram o perfil renovável da matriz energética brasileira, que se situa em torno de 49,5% - a média mundial não passa de 15% -, com a biomassa da cana respondendo por cerca de 15% deste percentual. "Com a política de mistura do anidro na gasolina, o Brasil já substitui aproximadamente 48% da gasolina por etanol. Por outro lado, o uso de hidratado beira apenas 29% por preconceito e desinformação."