Carteira problemática de crédito rural supera R$ 200 bi
Mais recente leitura da Farsul, de julho, abrange operações renegociadas, prorrogadas, em atraso e/ou inadimplentes
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Fonte: Freepik
A carteira problemática relacionada ao crédito rural, que reúne operações renegociadas, prorrogadas, em atraso e inadimplentes, chegou a R$ 207,47 bilhões em julho de 2026. A cifra corresponde a 23,46% de todo o saldo de crédito rural do país, contra 5,46% em dezembro de 2023. Neste intervalo, a carteira problemática multiplicou por 5,44 no período e responde por 91,22% do aumento. É o que mostra nota técnica divulgada nesta quinta-feira (5) pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).A inadimplência acima de 90 dias quase triplicou nos últimos doze meses - até setembro de 2026 -, de R$ 15,65 bilhões para R$ 45,71 bilhões, sinal de que parte das dívidas roladas em 2024 e 2025 voltou a atrasar. O Rio Grande do Sul tem o maior estoque de dívida problemática: R$ 44,89 bilhões, ou 41,17% do seu saldo, contra 9,01% em dezembro de 2023. O valor equivale a cerca de um quinto do total nacional.Na comparação de 12 meses até setembro de 2026, as contratações de crédito rural somaram R$ 327,72 bilhões, queda de 10,81% em relação ao mesmo período do ano anterior. O trimestre de julho a setembro, que abre a safra e concentra o custeio de soja e milho, é o principal termômetro da disponibilidade de crédito para o plantio. Em 2026, foram contratados R$ 87,79 bilhões no período, 22,65% abaixo de 2025 e 46,55% abaixo de 2023.Como os números não descontam a inflação, a retração real é ainda maior. Com a Selic em 13,75% ao ano, o custo do dinheiro segue alto e ajuda a explicar a fuga dos recursos que não têm taxa controlada.O custeio, que responde por 52% de tudo o que se contrata, puxa a queda. No trimestre de plantio, o custeio de soja caiu de R$ 36,72 bilhões em 2023 para R$ 14,05 bilhões em 2026. A área de soja financiada em custeio no período passou de 8,03 milhões para 2,95 milhões de hectares.MP 1.376/2026A Medida Provisória 1.376/2026, que abriu uma janela de renegociação até 12 de novembro, já originou R$ 18,60 bilhões em novas operações até 30 de outubro, com taxa média de 9,63% ao ano e prazo médio de 8,56 anos. O montante renegociado equivale a 8,99% da carteira problemática do país.