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Cibersegurança ganha relevância na lista de preocupações do agronegócio

Expansão da digitalização faz do setor agro um nova fronteira para crimes cibernéticos

16:59

Fonte: Freepik
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A expansão da digitalização no agronegócio fez a temática da cibersegurança ganhar relevância na lista de preocupações das empresas do setor, mostra a Síntese Global de Tendências em Auditoria Interna do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil). Dados do trabalho mostram que 76% das organizações apontam a cibersegurança / ameaças de ataques hackers como o principal risco corporativo, enquanto 54% identificam a disrupção digital e a inteligência artificial entre as maiores ameaças aos negócios.

Na sequência aparecem mudanças regulatórias (49%), incerteza geopolítica e macroeconômica (45%), capital humano (40%), resiliência dos negócios (37%) e riscos financeiros e de liquidez (32%).

O relatório traz a consolidação de estudos internacionais desenvolvidos por instituições como Jefferson Wells, PwC, KPMG, Deloitte, Protiviti, TrustArc, Nametag e pelo estudo Risk in Focus – América Latina, elaborado pelo IIA em parceria com a European Confederation of Institutes of Internal Auditing (ECIIA).

Embora os estudos tenham abrangência multissetorial, o IIA Brasil avalia que a combinação desses fatores reflete diretamente o momento vivido pelo agronegócio brasileiro. O setor enfrenta um ambiente de maior seletividade do crédito, crescente utilização de instrumentos privados de financiamento, ampliação das exigências de rastreabilidade e sustentabilidade, maior dependência de tecnologias digitais, exposição a oscilações cambiais e impactos decorrentes da instabilidade geopolítica internacional.

"O agronegócio sempre foi reconhecido por sua capacidade de administrar riscos climáticos e de mercado. O que mudou é que esses riscos deixaram de atuar isoladamente. Hoje, uma decisão pode ser influenciada, ao mesmo tempo, por fatores econômicos, regulatórios, tecnológicos, climáticos e geopolíticos. O desafio das empresas passa a ser compreender como esses elementos se conectam e quais impactos podem gerar sobre o negócio", afirma Paulo Gomes, diretor do IIA Brasil.

Segundo o executivo, esse novo ambiente exige uma evolução na forma como empresas do setor monitoram seus riscos. Questões que antes eram tratadas separadamente passam a demandar uma visão integrada, capaz de identificar como mudanças regulatórias podem afetar mercados, como ataques cibernéticos podem comprometer operações logísticas, como oscilações cambiais impactam margens e como eventos climáticos extremos podem pressionar fluxos de caixa e decisões de investimento.

Na avaliação do IIA Brasil, essa transformação também amplia a importância da governança corporativa. Mais do que responder a eventos já ocorridos, as organizações precisam desenvolver capacidade para monitorar continuamente indicadores críticos, conectar informações de diferentes áreas e apoiar decisões baseadas em dados, reduzindo a exposição a riscos que podem comprometer competitividade e continuidade operacional.

"A competitividade do agro continuará sendo construída pela eficiência operacional e pela capacidade de inovar. Mas, cada vez mais, ela também dependerá da forma como empresas conseguem antecipar riscos, integrar informações e fortalecer sua governança. Em um ambiente de riscos combinados, decisões tomadas com base em uma visão fragmentada tendem a gerar vulnerabilidades maiores. Governança integrada passa a ser um diferencial competitivo para todo o setor", conclui.

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