Cobertura do seguro rural está em torno de apenas 3% da área plantada, diz CNseg
Brasil já chegou a registrar cobertura securitária no campo de aproximadamente 16%
15:32
Fonte: Freepik
A expansão do mercado de capitais como fonte de financiamento para o agronegócio brasileiro amplia também a discussão sobre como proteger os recursos destinados à produção diante da exposição a eventos climáticos e da necessidade de reinvestimento a cada presença do seguro rural em um momento de diversificação das fontes de crédito do agronegócio. E ressaltou a importância do PL 2951/2024, que aguarda pauta no plenário do Senado, como instrumento de modernização do seguro rural.O projeto moderniza o marco legal do seguro rural e prevê, entre outros pontos, a inclusão anual dos recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) no orçamento, com caráter obrigatório e vedação ao contingenciamento; a integração do seguro às garantias das operações de crédito rural; benefícios e prioridade para produtores segurados em determinadas operações de crédito, renegociações e prorrogações; e a reformulação do Fundo de Cobertura Suplementar dos Riscos do Seguro Rural, ampliando os mecanismos de transferência de risco.Segundo Monique Cardoso, superintendente da CNseg, o Brasil chegou a registrar cobertura securitária pouco superior a 16% no campo, índice que posteriormente caiu para cerca de 3%. Mesmo no melhor momento, observou, o percentual ainda era reduzido diante da dimensão econômica do setor. “Chegamos a um nível muito baixo de proteção securitária do produtor rural. Esses 16% foram um pico que tivemos, mas ainda é muito baixo se você pensar que um quarto da economia brasileira está sem nenhuma proteção”, afirmou.Monique relacionou a necessidade de proteção às características da própria atividade agropecuária. Parte relevante dos recursos utilizados na produção precisa ser novamente mobilizada a cada ciclo, com gastos em insumos, arrendamento e, em determinados casos, máquinas.Nesse cenário, o seguro pode reduzir o impacto financeiro de eventos capazes de comprometer uma safra e, consequentemente, a capacidade do produtor de iniciar o ciclo seguinte. Os efeitos de uma perda também podem alcançar fornecedores, financiadores e outros integrantes da cadeia.O debate ocorre em meio ao avanço da participação do mercado de capitais no financiamento do agronegócio. Durante o painel, foram discutidos instrumentos como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) e Cédulas de Produto Rural (CPR).Para Monique, a evolução desses mecanismos abre espaço para uma maior integração entre seguro e crédito. “O seguro é uma ferramenta muito potente para gestão e mitigação de risco. Se ele fosse mais considerado justamente nas operações de crédito ou estivesse presente numa carteira de recebíveis dentro do CRA, imagina a confiança dessa pessoa física ou desse grande investidor que vai comprar os títulos de crédito”, disse.