Conferência DATAGRO: híbrido flex com etanol é mais verde que elétrico puro europeu
Emissão de gases de efeito estufa na indústria automobilística deve considerar todo o ciclo de vida, do berço ao túmulo
11:32
Fonte: DATAGRO
Considerando a análise do ciclo de vida do automóvel, que avalia as emissões de gases de efeito estufa desde a mineração até o descarte e/ou eventual reciclagem do carro ou de partes dele - e não apenas a fonte usada na motorização, seja ela combustíveis líquidos ou eletricidade à bateria, o modelo híbrido flex brasileiro com uso de etanol é mais verde se comparado ao elétrico puro europeu. Este foi um dos principais recados do vice-presidente de assuntos regulatórios da Stellantis na América do Sul, João Irineu Medeiros, em painel na 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, nesta terça-feira (27),que ocorre na capital paulista."O maior desafio da indústria automobilística em relação à descarbonização é que ela não pode ser observada apenas do que sai escapamento, ela precisa ser olhada do berço ao túmulo, desde a mineração dos componentes que vão compor o carro até seu descarte ou reciclagem, e nesta agenda, de nada adianta plugar um automóvel na tomada - que é o que ocorre na Europa - que vai puxar uma fonte fóssil", ressaltou.Dados apresentados por Irineu mostram que 55% das emissões no segmento estão vinculadas à jornada de fabricação, e 45%, de fato, estão relacionadas à fonte de energia usada na motorização. Do ponto de vista da competição entre gasolina e etanol no mercado doméstico, o executivo da Stellantis apresentou resultados de pesquisa realizada pela empresa, os quais mostram que mesmo em regiões onde o etanol é mais competitivo economicamente, a maioria dos motoristas ainda prefere o uso do combustível fóssil.Irineu pontua que isso acontece ainda por desconhecimento acerca das vantagens financeiras da escolha pelo etanol na bomba, bem como por mitos enraizados acerca de questões técnicas - partida a frio, entre outras, que já foram superadas pela tecnologia que passou a ser empregada nos carros flex fuel. "Nosso estudo revelou que, onde o etanol é mais competitivo frente à gasolina, e o consumidor entendeu isso, ele não se importa em ir mais vezes ao posto para abastecer com etanol."