Crédito: CRIs e CRAs somam R$ 27,4 bilhões em emissões no primeiro semestre
Mercado de capitais avança como modalidade de crédito alternativa ao Plano Safra
09:20
Fonte: Mapa
O segmento de securitização brasileiro vem se consolidando como um dos principais motores de expansão do crédito via mercado de capitais. Transformando fluxos futuros e recebíveis em instrumentos negociáveis, o setor cresceu 57% nos últimos cinco anos, alcançando R$ 242,4 bilhões em 2025, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).Após um período de estabilidade entre 2021 e 2023 (com emissões anuais próximas de R$ 150 bilhões), o volume avançou para R$ 220,5 bilhões em 2024 e R$ 242,4 bilhões em 2025, refletindo maior profundidade e diversidade das operações. Até maio de 2026, o mercado de capitais já acumulava R$ 283 bilhões em ofertas, alta de 14,1% ante igual período do ano anterior.Esse movimento coincide com um ambiente regulatório mais robusto. A Lei 14.430, que instituiu o Marco Legal da Securitização, somada à Resolução CVM 60 e à Resolução 175, modernizou regras, ampliou transparência e fortaleceu a governança das estruturas. Em paralelo, um conjunto de normas da Anbima complementa esse arcabouço, estabelecendo padrões de mercado, classificação de produtos e requisitos de divulgação de informações que aumentam a segurança e a previsibilidade para emissores e investidores.A combinação de avanços regulatórios e maior acesso ao mercado vem impulsionando o uso de instrumentos como CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e FIDC (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). Juntos, eles representam uma arquitetura de crédito sofisticada, que reduz a dependência das empresas em relação ao crédito bancário e amplia a liquidez em setores com ciclos longos de capital, como o imobiliário, agronegócio, infraestrutura, educação e saúde.“Por meio de estruturas como CRI, CRA, CR e FIDC, fluxos futuros são antecipados e convertidos em títulos, permitindo que empresas acessem recursos de forma imediata, sem precisar aguardar o ciclo completo desses ativos”, explica Flavia Palacios, diretora da Anbima.Essas mudanças regulatórias, somadas ao cenário macroeconômico levaram à reorganização do segmento. No primeiro semestre de 2026, os FIDCs captaram R$ 53,1 bilhões (alta de 29,5% sobre igual período de 2025), enquanto CRIs e CRAs somaram R$ 27,4 bilhões em emissões. Essa performance reforça a importância da securitização como um canal de funding e diversificação de risco.Em outra frente, as debêntures de securitização chegaram a R$ 53,2 bilhões em ofertas encerradas em 2025 e passaram a figurar entre os maiores volumes.O setor financeiro é o que mais acessa este instrumento, por meio da securitização de empréstimos, financiamentos, recebíveis de cartão de crédito etc. Isso se reflete no ticket médio por operação, o maior do segmento, de R$ 649 milhões em 2025.“Esse crescimento também indica uma diversificação da arquitetura de crédito do país. Em vez de depender exclusivamente de uma única fonte de recursos, as companhias passam a combinar crédito bancário, emissões de dívida e estruturas baseadas em recebíveis”, completa Flavia Palacios.A evolução também vem acompanhada de maior disciplina na originação e gestão de ativos. Nesse sentido, o mercado de capitais tem conduzido uma agenda contínua de transparência e padronização, que inclui o mapeamento dos fluxos de crédito, a interoperabilidade com registradoras e a divulgação de informações mais completas para o investidor, especialmente nos produtos que passaram a ser acessados pelo varejo.