Crise no petróleo reforça papel do biometano na segurança energética brasileira
13ª edição do Fórum do Biogás ocorre nos dias 11 e 12 de agosto no São Paulo Expo
18:57
O mercado internacional de petróleo voltou a operar sob forte volatilidade. Com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente um quinto do comércio marítimo mundial de petróleo, os preços dispararam: conforme noticiado recentemente pela imprensa, o Brent chegou a ser negociado perto de US$ 83 o barril e o WTI perto de US$ 78, com analistas cogitando a possibilidade de o barril alcançar US$ 100 caso a instabilidade persista.O episódio reacende, mais uma vez, o debate sobre a dependência brasileira de combustíveis fósseis importados e reforça a urgência de diversificar a matriz energética nacional. É nesse contexto que o biometano, produzido localmente a partir de resíduos agropecuários, industriais e urbanos, ganha peso estratégico: além de reduzir emissões, contribui para blindar o país contra choques de preço e de oferta vindos do mercado internacional de petróleo e gás.Segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás)o Brasil tem avançado no arcabouço regulatório que sustenta essa transição. A Lei nº 14.993/2024 (Lei do Combustível do Futuro) e o Decreto nº 12.614/2025 instituíram o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, que estabelece metas anuais de redução de emissões para produtores e importadores de gás natural, a serem cumpridas por meio da compra de biometano ou de Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGOB).Em 26 de junho, a Diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou o Estudo Técnico sobre a Fungibilidade do CGOB, que avaliou a possibilidade de reconhecimento intercambiável do certificado brasileiro com outros instrumentos de atributos ambientais, como os RINs (EUA) e o Guarantee of Origin (União Europeia). A conclusão, após consulta a 17 instituições do mercado e da sociedade, foi manter o modelo de “fungibilidade por validação”: sem equivalência automática entre certificados, com avaliação caso a caso baseada em critérios de metodologia, integridade ambiental, rastreabilidade e governança.“O Brasil tem hoje um ambiente regulatório mais claro do que em qualquer outro momento da história do setor. Isso muda o jogo: o biometano deixa de ser apenas uma alternativa de baixo carbono e passa a ser tratado como parte da estratégia de segurança energética do país, ao lado da política de descarbonização do gás natural”, avalia a presidente executiva da ABiogás, Josiani Napolitano.É exatamente esse cruzamento entre instabilidade geopolítica do petróleo, avanço regulatório e oportunidade de mercado que estará no centro dos debates da 13ª edição do Fórum do Biogás, promovida pela Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) nos dias 11 e 12 de agosto, no São Paulo Expo, na capital paulista. Apresentado como o maior encontro setorial da América Latina, o evento reúne autoridades nacionais e internacionais, investidores e representantes de toda a cadeia produtiva, em uma programação voltada a negócios, regulação, inovação e segurança energética.“Em um cenário de instabilidade internacional dos combustíveis fósseis, o biometano se torna ainda mais estratégico para o Brasil. Reunir, no Fórum, quem regula, quem produz e quem investe é essencial para transformar esse momento em decisões concretas de política energética”, afirma Tiago Santovito, diretor executivo da ABiogás.Segurança energética guia a programação do 13º Fórum do BiogásOutro fator que corrobora para a solidificação do biometano no Brasil é o volume crescente de plantas em operação e em processo de autorização pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Conforme o Relatório Dinâmico de Autorizados, hoje o país tem respectivamente 21 e 48 unidades no pipeline do biometano nacional.Segundo o Panorama do Biogás 2025 (CIBiogás), o Brasil soma atualmente 1.803 plantas de biogás cadastradas, indicando um crescimento médio de aproximadamente 15% ao ano nos últimos cinco anos, ritmo que o próprio estudo aponta como cerca de cinco vezes superior à expansão média do PIB nacional no período. A capacidade instalada de produção de biogás no país chega a aproximadamente 4,96 bilhões de Nm³ por ano, base sobre a qual o biometano desponta como o principal vetor de agregação de valor do setor.