Crises globais reforçam urgência da transição energética, destaca relatório da gestora de ativos de Al Gore
Combustíveis fósseis permanecem vulneráveis a choques geopolíticos, interrupções comerciais e volatilidade de preços, diz Generation Investment Management
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A Generation Investment Management, gestora de investimentos sustentáveis que tem o ex-vice presidente dos Estados Unidos, Al Gore, como chairman, lançou nova edição de seu estudo Sustainability Trends Report, o qual destaca a urgência na agenda da transição energética, com a substituição dos combustíveis fósseis por fontes limpas e renováveis.A edição deste ano analisa como as disrupções nos mercados globais de energia, provocadas pelos conflitos no Oriente Médio e na Europa, expuseram os riscos econômicos, de segurança e humanitários associados à dependência contínua dos combustíveis fósseis.O relatório também destaca como eventos climáticos extremos recentes tornaram mais visíveis os custos da inação climática e avalia os avanços e prioridades da transição sustentável nos setores de energia; transportes; edifícios e indústria; pessoas, uso da terra e alimentos, além do financiamento da transição.“Há um velho ditado segundo o qual a definição de insanidade é repetir as mesmas ações inúmeras vezes esperando um resultado diferente. Agora que o mundo enfrenta a segunda crise de energia fóssil em quatro anos, nunca esteve tão claro o quanto é insustentável perpetuar nossa dependência de petróleo, gás e carvão", assinala Gore."Enquanto os preços elevados geram lucros extraordinários para executivos do setor de petróleo e gás, consumidores em todo o mundo enfrentam custos cada vez maiores, de combustíveis a alimentos. Mercados e governos estão despertando para uma nova realidade: a transição para energia limpa é o melhor caminho para garantir segurança energética, prosperidade econômica e um futuro mais seguro e limpo."Dependência de combustíveis fósseis se tornou uma vulnerabilidade estratégica insustentávelO choque energético que repercutiu em todo o mundo após a invasão da Ucrânia pela Rússia não foi um evento isolado. Quatro anos depois, as disrupções no Estreito de Ormuz expuseram a mesma vulnerabilidade estrutural, afetando um quarto do comércio marítimo global de petróleo, um terço do comércio marítimo global de fertilizantes e quase um quinto do comércio mundial de gás natural liquefeito.Os efeitos rapidamente ultrapassaram os mercados de energia. A escassez de materiais críticos, como o hélio, afetou a produção de semicondutores e aumentou custos para prestadores de serviços de saúde dependentes de equipamentos de ressonância magnética. Ao mesmo tempo, preocupações com a oferta de fertilizantes aumentaram os riscos para a produção global de alimentos.Essas vulnerabilidades são agravadas pela concentração dos fluxos de commodities em um pequeno número de rotas marítimas estratégicas e expostas, criando riscos que repercutem por toda a economia global.A dependência de combustíveis fósseis, antes vista principalmente como um desafio ambiental, passa a ser entendida também como uma questão de segurança energética, segurança alimentar, resiliência nacional e custo de vida.Segurança energética e ação climática passam a fazer parte do mesmo desafioSegurança energética e ação climática já não são agendas separadas. Cada vez mais, ambas exigem as mesmas soluções. A melhor forma de preparar as economias para futuras crises é construir sistemas nos quais os choques relacionados aos combustíveis fósseis tenham impacto cada vez menor.Os sistemas baseados em combustíveis fósseis permanecem vulneráveis a choques geopolíticos, interrupções comerciais e volatilidade de preços. Já as tecnologias de energia renovável transformam um investimento inicial em décadas de produção energética, reduzindo, ao longo do tempo, a exposição a disrupções externas.China está no centro da transição energéticaA China ocupa uma posição central tanto na economia fóssil sob pressão quanto na economia renovável que ganha escala.O país continua sendo o maior consumidor mundial de combustíveis fósseis e o maior emissor de gases de efeito estufa, mas também é o principal produtor de painéis solares, turbinas eólicas, veículos elétricos e baterias de grande escala. Os investimentos chineses contribuíram para uma forte redução no custo dos painéis solares ao longo das últimas duas décadas, acelerando a adoção de tecnologias limpas em todo o mundo.O mais recente choque de energia fóssil reforça por que países vêm acelerando a transição energética não apenas para cumprir metas climáticas, mas também para aumentar sua resiliência no longo prazo.O relatório também levanta uma questão: ao comprar da China todos os equipamentos necessários, os países estariam apenas trocando uma dependência por outra? A diferença, segundo a análise, é que combustíveis fósseis exigem importações contínuas e deixam as economias permanentemente expostas a oscilações de preços, enquanto tecnologias como painéis solares podem produzir eletricidade durante décadas depois de instaladas.Ao mesmo tempo, a atual liderança chinesa não significa uma dependência permanente. A Europa continua sendo referência global em energia eólica offshore, enquanto novas capacidades produtivas estão surgindo na América do Norte e na Índia. Segundo o relatório, a transição energética será mais rápida, barata e resiliente se China e países ocidentais conseguirem manter uma relação comercial construtiva.IAA inteligência artificial também aparece como uma das potenciais grandes disrupções do século XXI. De um lado, a tecnologia pode contribuir para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e solucionar problemas históricos. De outro, modelos de IA já estão sendo utilizados para ampliar a extração de combustíveis fósseis e, no curto prazo, estão impondo uma demanda repentina e significativa sobre redes elétricas que ainda não estão preparadas para absorvê-la.