DATAGRO projeta moagem de 640,5 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul na safra 2026/27
Estimativa foi apresentada na 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol
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Fonte: DATAGRO
A 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, realizada nesta segunda-feira (26), no Grand Hyatt, em São Paulo, reuniu especialistas e representantes do setor sucroenergético para discutir os desafios e as oportunidades do mercado brasileiro e internacional de açúcar e biocombustíveis. O evento, que segue até terça-feira (27), aborda temas como produção agrícola, transição energética, sustentabilidade e perspectivas para o consumo de etanol.O primeiro painel da conferência “Perspectivas para a Safra 26/27 no Brasil e no Mundo” apresentou uma análise sobre o andamento da temporada sucroenergética, as condições dos canaviais, o comportamento dos preços do açúcar e do etanol e as perspectivas para a próxima temporada.A discussão foi moderada por Luiz Gustavo Wiechoreki, coordenador-geral de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e contou com a participação de Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, e Paulo Leal, presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (FEPLANA).Em sua apresentação, Plinio Nastari destacou que a safra 2026/27 começou cercada de incertezas relacionadas à expansão do etanol de milho, ao avanço da eletrificação da frota de veículos, à competitividade dos combustíveis fósseis e à estagnação do consumo global de açúcar.Apesar desses desafios, o presidente da DATAGRO avaliou que o cenário apresentou uma evolução mais favorável ao longo do ano, com recuperação dos preços do açúcar no mercado futuro, maior consumo de etanol no Brasil e perspectivas de estoques mais ajustados do biocombustível.Segundo as estimativas apresentadas pela DATAGRO, a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro deverá atingir 640,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 4,8% em relação às 611,15 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.Por outro lado, o volume médio de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) deverá recuar 2,2%, passando de 137,79 para 134,80 quilos por tonelada de cana. Mesmo com a redução na qualidade da matéria-prima, a maior disponibilidade de cana deverá elevar a oferta total de ATR em 2,5%, para 86,34 milhões de toneladas.Em relação à produção de açúcar, a consultoria projeta um volume de 38,42 milhões de toneladas, queda de 5% frente às 40,43 milhões de toneladas da safra 2025/26. O mix de produção destinado ao adoçante deverá diminuir de 50,4% para 46,7%.Já a produção total de etanol, incluindo o biocombustível de milho, está estimada em 37,21 bilhões de litros, avanço de 10,4% sobre os 33,72 bilhões de litros da temporada anterior.Desse total, 23,32 bilhões de litros correspondem ao etanol hidratado, crescimento de 12%, enquanto a produção de anidro deverá atingir 13,88 bilhões de litros, alta de 7,7%.Especificamente para o etanol de milho, a DATAGRO estima uma produção de 10,15 bilhões de litros na temporada 2026/27, volume 10,4% superior aos 9,19 bilhões de litros produzidos no ciclo anterior.Nastari também destacou os impactos das condições climáticas sobre o andamento da safra, especialmente em São Paulo, onde as chuvas recorrentes têm provocado interrupções nas operações de colheita e moagem.De acordo com a autoridade, as precipitações continuam comprometendo o ritmo operacional das usinas, levando um número crescente de unidades a projetar a continuidade da moagem até o final de dezembro de 2026.Além disso, a expectativa é de que a retomada das operações em 2027 seja antecipada para o início de março, diante da necessidade de processar a cana remanescente.Apesar dos atrasos, a produtividade agrícola permanece relativamente estável e acima do observado no ano passado. A maior umidade do solo tem favorecido o desenvolvimento e o ganho de peso dos canaviais, embora também tenha prejudicado a maturação da matéria-prima e favorecido a incidência de pragas.Quanto à safra 2027/28, o presidente da DATAGRO avaliou que ainda é cedo para estabelecer projeções consolidadas de moagem e produção de açúcar e etanol. Entretanto, as condições atuais dos canaviais indicam perspectivas favoráveis para o início da próxima temporada, com maior disponibilidade de cana e boas condições de desenvolvimento das áreas plantadas.Nastari também destacou os impactos das condições climáticas sobre a safra, especialmente em São Paulo, onde as chuvas recorrentes têm interrompido as operações de colheita e moagem. Segundo o projeto DATAGRO Crop Survey, um número crescente de usinas deverá manter as atividades até o final de dezembro, enquanto a retomada das operações em 2027 poderá ser antecipada para março. Apesar dos atrasos, a maior umidade do solo tem favorecido o desenvolvimento dos canaviais, indicando perspectivas positivas para o início da safra 2027/28, embora os danos às soqueiras e a incidência de pragas representem pontos de atenção.No mercado de biocombustíveis, o presidente da DATAGRO ressaltou a recuperação da competitividade do etanol hidratado frente à gasolina e o crescimento da demanda doméstica. O consumo mensal de hidratado ultrapassou 2 bilhões de litros em agosto e setembro de 2026, enquanto a mistura E32 contribuiu para sustentar a demanda por anidro. Associado à perspectiva de estoques mais ajustados durante a entressafra, esse cenário tem oferecido suporte aos preços do biocombustível. No mercado internacional de açúcar, Nastari também destacou a recuperação recente dos contratos futuros negociados em Nova York.Para os próximos anos, Nastari demonstrou otimismo com as oportunidades de expansão do consumo de etanol, especialmente com a abertura de novos mercados internacionais e o desenvolvimento de aplicações em setores como o transporte marítimo e a aviação. Segundo o executivo, os avanços tecnológicos e a busca por combustíveis com menor intensidade de carbono deverão ampliar a participação do etanol na transição energética global, consolidando o Brasil como referência na produção de energia renovável.Encerrando as apresentações do painel, o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (FEPLANA), Paulo Leal, destacou a importância do fortalecimento econômico dos produtores rurais para garantir a expansão sustentável da cadeia sucroenergética brasileira.Segundo Leal, o crescimento da produção de cana-de-açúcar precisa estar acompanhado de condições adequadas de remuneração, rentabilidade e capacidade de investimento nas propriedades rurais.Outro ponto abordado pelo presidente da FEPLANA foi a necessidade de renovação dos canaviais, diante do envelhecimento de parte das lavouras e da crescente demanda por matéria-prima para a produção de açúcar e biocombustíveis.Na avaliação de Leal, o avanço do mercado brasileiro de biocombustíveis dependerá não apenas de investimentos industriais e da expansão da demanda, mas também da valorização dos produtores responsáveis pelo fornecimento da matéria-prima.O presidente da FEPLANA reforçou que garantir remuneração adequada, sustentabilidade econômica e segurança para novos investimentos será essencial para que o Brasil mantenha sua competitividade e consiga atender à demanda crescente por energia renovável nos próximos anos.