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DDG e DDGs: o que são e por que ganharam destaque?

Entenda o que são e como são produzidos, suas aplicações na nutrição animal e o crescimento do mercado de coprodutos do etanol de milho

17:10

Fonte: Wenderson Araujo/Trilux (CNA)
Fonte: Wenderson Araujo/Trilux (CNA)
A expansão da produção de etanol de milho no Brasil transformou o setor de biocombustíveis e abriu espaço para um mercado que cresce em ritmo acelerado: o dos co-produtos do biocombustível, especialmente o DDG e os DDGs

Cada vez mais presentes na alimentação de bovinos, aves, suínos e até peixes, esses ingredientes vêm conquistando produtores pela combinação entre alto valor nutricional, disponibilidade crescente e boa relação custo-benefício.

O interesse por esses produtos acompanha a rápida evolução das usinas de etanol de milho no país, principalmente na região Centro-Oeste. À medida que novas plantas entram em operação e a produção de biocombustível aumenta, também cresce a oferta de coprodutos destinados à nutrição animal, fortalecendo um mercado que já desperta atenção de pecuaristas, nutricionistas e indústrias de rações.

Além de agregar valor ao milho utilizado na fabricação de etanol, o DDG e os DDGs representam um importante exemplo de economia circular, aproveitando praticamente todos os componentes do grão. Essa característica contribui para aumentar a eficiência da cadeia produtiva e reduzir desperdícios.

O que são DDG e DDGs?


O DDG é a sigla para Dried Distillers Grains, expressão em inglês que significa "grãos secos de destilaria". Trata-se de um co-produto obtido durante a fabricação de etanol, principalmente a partir do milho.

Já o termo DDGs costuma ser utilizado para designar esses coprodutos de maneira geral ou em referência aos diferentes tipos produzidos pelas usinas. Em muitos casos, o mercado utiliza DDG e DDGs como sinônimos.

Durante o processo industrial de produção do etanol, o amido presente no milho é convertido em álcool por meio da fermentação. Como o amido representa grande parte do grão, sua retirada concentra os demais nutrientes, especialmente proteínas, fibras, lipídios e minerais, formando um ingrediente altamente nutritivo para alimentação animal.

Outro produto bastante conhecido é o DDGS (Dried Distillers Grains with Solubles), que incorpora ao DDG os chamados "solubles", fração líquida rica em nutrientes recuperada ao longo do processo industrial. Atualmente, grande parte das usinas brasileiras produz esse tipo de coproduto, embora o mercado frequentemente utilize apenas a sigla DDG para se referir ao produto de forma geral.

Na prática, esses ingredientes tornaram-se uma importante alternativa às fontes tradicionais de proteína e energia utilizadas nas formulações de rações.

Como são produzidos?


A produção dos co-produtos do etanol de milho começa com a moagem do grão, seguida da adição de água e enzimas que convertem o amido em açúcares fermentáveis.

Na sequência, leveduras realizam a fermentação, transformando esses açúcares em etanol e dióxido de carbono. Após essa etapa, o etanol é separado por destilação.

O material restante, conhecido como vinhaça úmida ou "whole stillage", ainda contém proteínas, fibras, óleo, minerais e outros nutrientes que não participaram da fermentação.

Esse material passa por processos de separação mecânica, originando uma fração sólida e outra líquida. A parte líquida pode ser concentrada e reincorporada ao sólido antes da secagem, dando origem ao DDGS. Quando essa reincorporação não ocorre, obtém-se o DDG.

Em algumas usinas, parte do óleo de milho também é extraída antes da secagem, criando diferentes perfis nutricionais conforme o destino comercial do produto.

O resultado é um ingrediente de elevada concentração nutricional, cuja composição pode variar conforme o tipo de milho utilizado, o processo industrial e o nível de extração de óleo realizado pela usina.

Aplicação na nutrição animal


A principal utilização do DDG ocorre na nutrição animal, segmento que absorve praticamente toda a produção brasileira:

  • Na pecuária de corte e de leite, o produto é utilizado tanto em confinamentos quanto em sistemas semi-intensivos, contribuindo para elevar o ganho de peso, melhorar a conversão alimentar e complementar dietas baseadas em milho e farelo de soja.

  • Para bovinos, seu elevado teor de proteína, aliado à presença de fibras altamente digestíveis, torna o ingrediente especialmente interessante em dietas de alto desempenho.

  • Na suinocultura, o DDG pode substituir parte das fontes tradicionais de proteína e energia, desde que as formulações sejam ajustadas para atender às exigências nutricionais de cada fase produtiva.

  • Já na avicultura, seu uso também vem crescendo, especialmente em formulações destinadas a frangos de corte e poedeiras, sempre respeitando limites técnicos estabelecidos pelos nutricionistas.

  • A aquicultura representa outro mercado promissor. Diversos estudos mostram que o ingrediente pode integrar dietas para diferentes espécies de peixes, reduzindo custos sem comprometer o desempenho zootécnico.


Vantagens econômicas e nutricionais


O crescimento do DDG não acontece apenas pela maior oferta. Suas características nutricionais e econômicas também explicam a rápida adoção pelo setor pecuário.

Entre os principais benefícios estão:

  • Elevado teor de proteína em comparação ao milho;

  • Boa concentração de energia;

  • Presença de fibras altamente digestíveis;

  • Fornecimento de minerais, especialmente fósforo;

  • Excelente palatabilidade para diferentes espécies.


Do ponto de vista econômico, o DDG oferece aos produtores maior flexibilidade na formulação das rações. Em momentos de valorização do farelo de soja ou do milho, sua utilização pode contribuir para reduzir os custos de alimentação, que normalmente representam a maior parcela das despesas na produção pecuária.

Outro diferencial importante é a sustentabilidade


Como o DDG aproveita nutrientes que permaneceram disponíveis após a produção do etanol, ele agrega valor ao milho utilizado na indústria e melhora o aproveitamento dos recursos agrícolas. Esse modelo de produção reduz desperdícios e fortalece o conceito de bioeconomia dentro do agronegócio.

Além disso, a integração entre usinas de etanol e sistemas pecuários favorece cadeias produtivas regionais, reduzindo distâncias de transporte e estimulando economias locais.

Crescimento da produção no Brasil


O mercado de DDG no Brasil acompanha diretamente a expansão da indústria nacional de etanol de milho.

Nos últimos anos, o país registrou forte crescimento da capacidade instalada, impulsionado principalmente pelo avanço das usinas localizadas em Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, além de unidades na região do Nordeste.

Esse movimento ocorre porque o Brasil reúne condições favoráveis para integrar produção agrícola, pecuária e biocombustíveis. Regiões com elevada oferta de milho frequentemente concentram grandes rebanhos bovinos, criando um ambiente ideal para o consumo dos coprodutos produzidos localmente.

Ao mesmo tempo, a chamada "segunda safra" de milho ampliou significativamente a disponibilidade do cereal, permitindo maior utilização como matéria-prima para produção de etanol sem comprometer o abastecimento dos demais mercados.

Com novas plantas industriais entrando em operação e projetos de expansão em andamento, a oferta nacional de DDG tende a crescer nos próximos anos.

Esse cenário também favorece o desenvolvimento de novos canais de comercialização e maior profissionalização da logística.

Tendências de mercado


As perspectivas para o mercado de DDG no Brasil permanecem bastante positivas.

A expansão contínua da indústria de etanol de milho deverá elevar significativamente a disponibilidade desses coprodutos ao longo da próxima década, acompanhando o crescimento da demanda por proteínas animais.

Ao mesmo tempo, a evolução das tecnologias de processamento tende a produzir ingredientes com características nutricionais cada vez mais padronizadas, facilitando sua utilização pelas indústrias de ração e pelos produtores rurais.

Outro fator importante é a crescente valorização da sustentabilidade nas cadeias agroindustriais. Como o DDG está inserido em um modelo de aproveitamento integral do milho, seu uso reforça práticas alinhadas à economia circular e à eficiência no uso dos recursos naturais.

Também cresce o interesse pelas exportações. À medida que a produção brasileira aumenta e a qualidade dos produtos se consolida, o país poderá ampliar sua participação no comércio internacional desses coprodutos, aproveitando a experiência já adquirida por mercados como os Estados Unidos.

Combinando elevada qualidade nutricional, competitividade econômica e produção crescente, o DDG consolidou-se como um dos principais coprodutos do etanol de milho e deve desempenhar papel cada vez mais relevante na alimentação animal.

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