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Agricultura

El Niño eleva riscos fitossanitários para safra 2027 de café

Mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas podem antecipar florada e aumentar incidência de doenças, pragas e plantas daninhas

14:17

Fonte: CNA
Fonte: CNA
O El Niño, que acarretará em mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas, tem potencial para interferir em fases decisivas do ciclo das lavouras de café, em particular a florada, bem como afetar o pegamento dos frutos, enchimento dos grãos e uniformidade da maturação. Na cafeicultura, entretanto, diz o engenheiro agrônomo de Desenvolvimento de Mercado da Ihara, Frederico Gianasi, mais do que o volume, a distribuição das chuvas ao longo do ciclo é o que merece mais atenção.

"Depois do período seco, o retorno da umidade é um dos principais estímulos para a abertura das flores. Quando as chuvas ocorrem de maneira antecipada, podem provocar floradas antes do período tradicionalmente esperado, alterando o calendário da cultura e a dinâmica de formação da próxima safra", ressalta.

Segundo o especialista, em algumas regiões produtoras, chuvas volumosas registradas após o período seco já têm favorecido a abertura antecipada das flores. "Essas primeiras floradas podem apresentar menor intensidade, mas ainda assim interferir no desempenho da florada principal, geralmente concentrada entre setembro e outubro. É nesse período que a intensidade da floração e o pegamento dos frutos serão determinantes para definir o potencial produtivo da temporada."

De acordo com Gianasi, o florescimento é uma das etapas mais importantes do ciclo do cafeeiro, pois marca o início da formação dos frutos que serão colhidos na safra seguinte. “Além dos efeitos diretos sobre a florada e o desenvolvimento dos frutos, a mudança no comportamento das chuvas e das temperaturas pode alterar a pressão fitossanitária das lavouras, intensificando a incidência de doenças, pragas e plantas daninhas."

O especialista assinala que a evolução do clima entre setembro e outubro terá papel decisivo para o desenvolvimento do café. "A falta de água durante o florescimento pode reduzir o número de flores e aumentar a desuniformidade da floração. Já nas etapas seguintes, períodos de estresse hídrico associados a temperaturas elevadas podem comprometer o desenvolvimento e o enchimento dos grãos, acelerar a maturação e afetar a qualidade do café."

Gianasi registra, ainda, que a irregularidade climática também pode dificultar a uniformidade da maturação. "Quando diferentes floradas se desenvolvem em momentos distintos, os frutos podem amadurecer de maneira irregular, dificultando a colheita seletiva e aumentando o desafio em lavouras destinadas à produção de cafés de maior qualidade. Temperaturas excessivamente elevadas durante o desenvolvimento dos frutos podem afetar o tamanho e o peso dos grãos, além de comprometer características físicas e sensoriais da bebida."

Ademais, conclui o especialista, a combinação entre chuva e temperatura também influencia a ocorrência de problemas fitossanitários. "Com a retomada das precipitações, o ambiente pode se tornar mais favorável ao desenvolvimento de doenças como ferrugem-do-cafeeiro e mancha de phoma, que podem afetar folhas, flores e frutos."

 

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