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Etanol e açúcar recuam em maio com avanço da safra 2026/27 no Centro-Sul, diz Cepea

Perfil mais alcooleiro das usinas amplia oferta de etanol, enquanto aumento da moagem pressiona os preços do açúcar no mercado interno

11:23

Fonte: Pexels
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Os preços dos etanóis hidratado e anidro registraram forte queda em maio, refletindo o aumento da oferta no Centro-Sul do Brasil. Segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (2) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações dos dois biocombustíveis acumularam recuo de cerca de 14% no mês.

De acordo com o centro de pesquisas, os dois primeiros meses da safra 2026/27 apresentaram um perfil mais alcooleiro, com as usinas direcionando maior parcela da cana para a produção de etanol em detrimento do açúcar.

Mesmo com as chuvas registradas na segunda quinzena de maio, que interromperam temporariamente a moagem em algumas regiões, a oferta seguiu elevada e pressionou os preços.

Segundo pesquisadores do Cepea, parte das usinas intensificou as vendas no mercado spot diante da necessidade de geração de caixa em um ambiente de preços menos atrativos tanto para o etanol quanto para o açúcar. Por outro lado, algumas unidades tentaram limitar as baixas ao restringir ofertas.

Do lado da demanda, distribuidoras ampliaram a pressão por preços menores e conseguiram negociar descontos em diversas regiões do Centro-Sul.

No mercado de açúcar, o cenário também permaneceu baixista. O Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal, com cor Icumsa entre 130 e 180, acumulou queda de 5% em maio.

A retração da demanda e a expectativa de aumento da oferta seguem limitando os negócios. Compradores permanecem cautelosos, aguardando novas desvalorizações à medida que a moagem da safra avança.

Os dados mais recentes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) reforçam esse cenário. Segundo a entidade, a safra 2026/27 do Centro-Sul continua apresentando ritmo robusto de processamento, ampliando a disponibilidade de açúcar e etanol no mercado.

No cenário internacional, os contratos futuros de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York registraram perdas na última semana, influenciados pelo avanço da produção brasileira.

Até o início de maio, as usinas do Centro-Sul haviam produzido 2,475 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Apesar da pressão exercida pela oferta, os preços externos encontraram algum suporte nas preocupações climáticas relacionadas ao possível desenvolvimento do fenômeno El Niño e seus impactos sobre importantes regiões produtoras globais.

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