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Gás natural desponta como alternativa sustentável para secagem do café

Vitória Coffee Summit vai apresentar projeto inédito realizado no Espírito Santo

17:20

Fonte: Shutterstock
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Pela primeira vez no Brasil, um cafeicultor secou parte de sua safra usando gás natural ao invés de lenha. O teste foi feito na Fazenda Chapadão, em Linhares (ES), durante a colheita da safra da variedade conilon deste ano e integra um projeto-piloto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), que avalia o uso do gás no processo de secagem dos grãos, substituindo as fontes tradicionais de energia utilizadas nas propriedades rurais.

A iniciativa será apresentada, nesta quinta-feira (20), durante o Vitória Coffee Summit 2026, na capital capixaba, como um dos principais exemplos da capacidade de inovação da cafeicultura capixaba. As ações são desenvolvidas pela ES Gás, em parceria com o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet's e Base 27, com aprovação e acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).

A pesquisa teve início durante a safra de conilon deste ano, em condições reais de produção. Os testes ocorreram na Fazenda Chapadão, em Linhares, de propriedade do produtor Eduardo Bortolini, onde o sistema operou permitindo o monitoramento técnico e a coleta de dados sobre o desempenho do gás natural na secagem dos grãos.

A etapa da secagem é considerada uma das mais decisivas para a qualidade final do café. Tradicionalmente realizada com a utilização de lenha e outras biomassas, ela influencia diretamente aspectos como uniformidade, padronização e preservação das características sensoriais do produto.

Ao mesmo tempo, concentra importantes desafios ambientais e sociais, como o consumo de recursos naturais e a emissão de fumaça durante aproximadamente cem dias de funcionamento dos secadores, impactando tanto as propriedades quanto as comunidades vizinhas.

A proposta da pesquisa é justamente avaliar se o gás natural pode representar uma alternativa mais eficiente e sustentável, oferecendo maior controle térmico, estabilidade operacional, redução de emissões e menor impacto ambiental. O estudo também busca analisar a viabilidade técnico-operacional, econômico-financeira, socioambiental e regulatória da tecnologia, produzindo conhecimento científico que poderá subsidiar sua expansão para outras regiões produtoras nos próximos ciclos.

Hoje, o Espírito Santo já ocupa posição de destaque entre as regiões cafeeiras mais modernas e tecnificadas do mundo, especialmente na produção de café conilon. O Estado reúne elevada produtividade, rápida adoção de novas tecnologias e uma logística privilegiada, com proximidade entre as regiões produtoras e os portos de exportação, características que fortalecem sua presença no mercado internacional.

Segundo o presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Fabrício Tristão, a pesquisa representa um passo estratégico para ampliar o valor agregado do café capixaba. "A cafeicultura vive um novo momento, em que qualidade, sustentabilidade e inovação caminham juntas. A secagem sempre foi uma etapa crítica para quem busca mercados mais exigentes. Este projeto tem potencial para mudar esse cenário ao avaliar uma tecnologia que pode oferecer maior controle do processo, elevar o padrão do café produzido no Espírito Santo e abrir novas oportunidades para nossos produtores. Estamos falando de uma pesquisa construída com responsabilidade, baseada em ciência, que pode contribuir para transformar a cafeicultura brasileira", afirma.

Trata-se de uma pesquisa de longo prazo, cujos milhares de dados coletados neste primeiro momento, ainda estão em fase de validação técnica pelos parceiros envolvidos, mas que já desperta grande expectativa por seu potencial de promover avanços em qualidade, sustentabilidade e competitividade para o café brasileiro.

Vitória Coffee Summit

Lideranças do maior mercado consumidor global de café, bem como de dois dos maiores países produtores do grão se reúnem quinta (20) e sexta-feira (21), na capital do Espírito Santo, no Vitória Coffee Summit 2026, para debater com o Brasil a agenda de desafios e oportunidades da cafeicultura mundial.

O evento, realizado pelo Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV), recebe nesta edição Bill Murray, presidente da National Coffee Association (NCA), entidade que representa a indústria e os importadores de café dos Estados Unidos; Francisco Gómez, presidente do Conselho da Associação Colombiana de Exportadores de Café (Asoexport); e Thai Nhu Hiep, vice-presidente da Vietnam Coffee-Cocoa Association (VICOFA), principal entidade representativa da cafeicultura vietnamita.

À frente da curadoria técnica do evento, Marcus Magalhães, uma das principais referências em inteligência de mercado para o setor cafeeiro, assinala o ineditismo em território nacional do encontro entre representantes do principal mercado consumidor [EUA] e dos três maiores produtores, Brasil, Colômbia e Vietnã.

Magalhães ressalta, ainda, a participação de executivos de peso, como, por exemplo, Tina Cação, diretora de Vendas da JDE Peet's Brasil, uma das maiores empresas de café do mundo e responsável por marcas como L'OR, Pilão, Café do Ponto, Caboclo e Pelé.

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