No ano, indicador de preços de hortifrútis no mercado atacadista paulista registra alta de 0,43%
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O índice de preços CEAGESP subiu +5,16% ante uma queda de -2,97% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado alta de +3,95% e, com o resultado obtido, encerrou o período apresentando um acumulado de +0,43% no ano e -3,80% em 12 meses.Neste contexto, o destaque ficou com o setor de Pescados, que pelo segundo mês consecutivo apresentou variação negativa de preços. O fim do período de defeso para várias espécies nas mais diferentes regiões do país favoreceu o aumento no volume mensal de oferta dos produtos, impactando diretamente no resultado obtido pelo setor nos meses de fevereiro e março.:: SetorizaçãoO setor de FRUTAS subiu +3,07% ante uma queda de -3,05% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +2,50% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -8,49% no ano e de -3,84% em 12 meses. Dos 49 itens cotados nesta cesta de produtos, 51% apresentaram alta de preço.As principais altas ocorreram nos preços de UVA CRIMSON (+38,06%), MARACUJÁ DOCE (+30,60%), KIWI IMPORTADO (+28,14%), MELÃO AMARELO (+22,86%) e UVA NIÁGARA (+19,54%). As principais quedas ocorreram nos preços de MAÇÃ FUJI (-23,31%), LIMÃO SICILIANO (-22,77%), ABACATE GEADA (-18,28%), MAÇÃ GALA (-14,39%) e PERA DANJOU IMPORTADA (-13,17%).O cenário produtivo em março foi marcado por uma transição climática complexa. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o Climatempo, o fenômeno La Niña, que atuou com baixa intensidade desde o final de 2025, entrou em processo de dissipação, levando o Pacífico Equatorial a um estado de neutralidade térmica. Entretanto, a observação de um El Niño costeiro nos litorais de Peru e Equador já provoca reflexos no aquecimento do centro-sul brasileiro. Essa transição climática é desafiadora para a fruticultura, pois altera os regimes de chuva e aumenta a amplitude térmica nas principais regiões produtoras. Além disso, a Semana Santa gerou um choque de demanda positivo sobre o setor. Historicamente, este período registra um dos maiores picos de consumo do ano, demandando um volume maior de frutas.Nem mesmo o aumento na oferta mensal de uva Crimson, variedade com alto valor agregado, foi capaz de conter os preços. No atacado do Entreposto Terminal São Paulo (ETSP), o item encerrou o período cotado a R$ 13,60/kg, com variação de preço de +28,5% nos últimos 12 meses.Por outro lado, a menor disponibilidade de uva Niágara no ETSP forçou a elevação dos preços (variedade que compõe a base de consumo de mesa). Esta redução no volume de oferta é atribuída principalmente à sazonalidade, já que o produto tem o pico de colheita nos meses de novembro a janeiro. As condições climáticas nas regiões produtoras desempenharam papel importante, pois essa variedade é extremamente suscetível ao excesso de umidade. As chuvas, ocorridas em março e em períodos anteriores, favoreceram a ocorrência de doenças fúngicas e o “rachamento” dos bagos, dificultando a comercialização in natura.A alta de preços do melão amarelo reflete o encerramento do calendário produtivo nas principais regiões produtoras. Segundo o Mapa de Sazonalidade (2023 – 2025) divulgado pela CEAGESP, o período de meados de setembro a dezembro concentra o maior volume de entrada desse produto no ETSP, com março já representando um período de baixa oferta devido ao início da entressafra.O setor de LEGUMES subiu +22,87% ante uma queda de -1,75% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +16,36% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +51,13% no ano e de +5,35% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 66% apresentaram alta de preço.As principais altas ocorreram nos preços de VAGEM MACARRÃO (+68,19%), TOMATE PIZZA’DORO (+63,23%), CENOURA (+58,94%), BERINJELA COMUM (+51,77%) e TOMATE CARMEM (+47,52%). As principais quedas ocorreram nos preços de CHUCHU (-54,73%), INHAME (-8,71%), MANDIOCA (-7,26%), JILÓ (-6,10%) e MAXIXE (-5,56%).O setor encerrou o período com uma expressiva valorização, revertendo a tendência deflacionária observada no mês anterior. O principal vetor dessa alta foi a instabilidade climática nas regiões produtoras, com a persistência de precipitações volumosas comprometendo a integridade física de produtos sensíveis. A vagem macarrão e o tomate Pizza’doro lideraram as altas de preços no setor devido à combinação de abortamento floral e incidência de doenças, que reduziram o volume de oferta mensal.No caso da cenoura, as chuvas reduziram a oferta de raízes de qualidade superior e o excesso hídrico provocou deformidades e a chamada “mela”, elevando o patamar de preços. No ETSP, o item encerrou o período cotado a R$ 4,19/kg, com variação de preço de +32,9% nos últimos 12 meses.O tomate Carmem, apesar de um incremento marginal no volume mensal de oferta, registrou alta de preços impulsionada pela forte demanda por produtos com melhor qualidade, escassos no período.O setor de VERDURAS subiu +4,29% ante uma alta de +11,09% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +2,03% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +37,38% no ano e de -6,25% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 74% apresentaram alta de preço.As principais altas ocorreram nos preços de BETERRABA COM FOLHA (+52,97%), SALSA (+48,59%), REPOLHO LISO/VERDE (+30,86%), COUVE-FLOR (+29,45%) e COUVE MANTEIGA (+26,48%). As principais quedas ocorreram nos preços de COENTRO (-38,37%), RABANETE (-3,55%), BRÓCOLOS NINJA (-3,29%), ALFACE AMERICANA (-1,71%) e ALFACE LISA HIDROPÔNICA (-1,53%).O setor de Verduras encerrou o período sinalizando uma desaceleração no ritmo de alta de preços. Contudo, o cenário permanece sob forte pressão, haja vista que o primeiro trimestre do ano encerrou com um acumulado de +37,38%. A dinâmica mensal foi influenciada pela instabilidade climática característica da transição entre o verão e o outono. O calor e as chuvas que atingiram as principais regiões produtoras do cinturão verde paulista prejudicaram o desenvolvimento das culturas no campo e geraram maior descarte dos produtos no ETSP. Essas variações climáticas são cruciais para a produção de hortaliças e impactam diretamente na oferta e qualidade dos produtos.Um bom exemplo disso é a couve-flor. O calor excessivo impediu o fechamento da “cabeça” da hortaliça, resultando em produtos de menor qualidade e com preços mais caros, pois é hortaliça sensível ao manejo e exige condições específicas de solo e clima para o seu cultivo. A redução significativa no volume mensal de oferta representa bem todo esse cenário. No ETSP, o item encerrou o período cotado a R$ 6,30/cabeça, com estabilidade na variação de preço de +0,3% nos últimos 12 meses.O setor de DIVERSOS subiu +12,77% ante uma alta de +5,98% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +2,93% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +14,48% no ano e de -12,65% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 82% apresentaram alta de preço.As principais altas ocorreram nos preços de CEBOLA NACIONAL (+42,69%), BATATA ASTERIX (+29,00%), OVOS VERMELHOS (+12,17%), BATATA LAVADA (+11,70%) e OVOS BRANCOS (+10,96%). As principais quedas ocorreram nos preços de COCO SECO (-2,43%) e OVOS DE CODORNA (-1,17%).A cebola nacional impulsionou as altas de preços no setor devido ao clima e à transição entre safras. As chuvas ocorridas em períodos anteriores dificultaram o processo de cura (secagem) e armazenamento dos estoques, resultando em uma disponibilidade menor de bulbos de melhor qualidade no mercado atacadista da CEAGESP. Além disso, os preços do produto refletiram o encerramento do ciclo produtivo em regiões importantes de produção no sul do país. A transição para áreas de produção na região Sudeste também acabou sendo impactada pelas chuvas, reduzindo o volume mensal de oferta no período. Deste modo, o produto encerrou o período ao preço médio de R$ 2,69/kg, com variação de preço de +21,5% nos últimos 12 meses.Entre os tubérculos, as batatas mantiveram a tendência de valorização. A batata Asterix e a batata lavada tiveram seus preços médios no ETSP condicionados pela instabilidade na colheita nas principais regiões produtoras, principalmente em São Paulo. O excesso de umidade no solo dificultou o trabalho das máquinas e comprometeu o aspecto visual, elevando o ágio sobre os lotes de qualidade superior. Devido à proximidade da Semana Santa, houve concomitância com a pressão de consumo normal deste período.Em complemento, os ovos vermelhos e brancos registraram altas devido à sazonalidade da Quaresma e mesmo o incremento no volume mensal de oferta não foi suficiente para conter o avanço nos preços. No mercado atacadista da CEAGESP, a variedade vermelha encerrou o período ao preço médio de R$ 8,05/dúzia enquanto a variedade branca registrou R$ 7,15/dúzia.O setor de PESCADOS caiu -0,97% ante uma queda de -8,60% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +1,90% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +1,50% no ano e de -0,29% em 12 meses. Dos 30 itens cotados nesta cesta de produtos, 57% apresentaram queda de preço.As principais quedas ocorreram nos preços de CURIMBA (-32,99%), ROBALO (-22,18%), CAVALINHA (-20,67%), PEROÁ BRANCO (-16,85%) e CAMARÃO CATIVEIRO (-8,71%). As principais altas ocorreram nos preços de PESCADA AMARELA (+19,02%), PESCADA BRANCA (+14,21%), SARDINHA LAGES (+5,63%), TILÁPIA (+4,04%) e BONITO (+2,72%).Historicamente, o mês de março é marcado por pressões inflacionárias no setor de Pescados decorrentes da tradição religiosa da Quaresma. Entretanto, o resultado obtido neste ano indica que o setor conseguiu manter uma boa oferta de produtos capaz de “neutralizar” a pressão de demanda típica desta época do ano. Com o encerramento das restrições de pesca de várias espécies nativas nas mais diferentes regiões do país, o volume de peixe se acumulou durante este período e resultou em capturas volumosas nos primeiros dias de março.O aumento no volume mensal de oferta da curimba no Entreposto de Pescados de São Paulo (EPSP) é reflexo desse cenário. Este item é valorizado no mercado devido a sua alta densidade calórica, tornando-se uma das principais alternativas para o consumidor que buscou substituir a carne vermelha durante a Quaresma. O produto encerrou o período ao preço médio de R$ 15,45/kg, com variação de preço de +32,5% nos últimos 12 meses.A temperatura das águas superficiais, mantida elevada pelo calor residual do verão e pela influência (mesmo que pequena) do El Niño costeiro, manteve os cardumes de robalo muito próximos à costa, facilitando a pesca no litoral e a comercialização do produto no EPSP. Em março, o preço médio do produto foi de R$ 44,71/kg, com variação de preço de -8,3% nos últimos 12 meses.A cavalinha é um peixe de pequeno porte, frequentemente associado a capturas em grande escala. A queda na média mensal de preços reflete o aumento que o item teve no volume mensal de oferta decorrente das capturas ocorridas, principalmente, nos litorais sul e sudeste. No mercado atacadista da CEAGESP, o item encerrou o período ao preço médio de R$ 4,35/kg com variação de preço de +18,1% nos últimos 12 meses.