Mais de 3 milhões de pessoas físicas já investem no agronegócio por meio da B3
Mercado de capitais vem ampliando papel como fonte de recursos para o setor, bem como também vem despertando atenção como opção de investimento
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Fonte: Mapa
Responsável por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro (PIB) e por movimentar R$ 3,2 trilhões em 2025, o agronegócio demanda volumes crescentes de recursos para financiar produção, expansão, inovação e ganhos de produtividade. Nesse cenário, o mercado de capitais vem ampliando seu papel como fonte complementar de financiamento e como instrumento de gestão de riscos para produtores e empresas de diferentes elos da cadeia.“O agronegócio brasileiro alcançou uma dimensão que exige fontes de recursos cada vez mais diversificadas, recorrentes e adequadas aos diferentes projetos e momentos da cadeia. Programas de crédito direcionado, como o Plano Safra, seguem cumprindo função uma fundamental e o mercado de capitais se soma a eles ao aproximar o setor produtivo dos investidores, ampliar as alternativas de financiamento e oferecer instrumentos para administrar riscos. O papel daB3é criar as condições para que essa conexão aconteça em um ambiente seguro, transparente e eficiente”, afirma Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3.O movimento ocorre em um momento de forte atividade do mercado de capitais brasileiro. No primeiro semestre de 2026, as ofertas alcançaram R$ 361,8 bilhões, o maior volume já registrado para o período. A renda fixa respondeu por R$ 288 bilhões desse total, enquanto as emissões de Fiagros chegaram a R$ 8,3 bilhões, com crescimento expressivo na comparação anual.Instrumentos do agro ganham escalaOs volumes registrados na infraestrutura da B3 mostram o espaço que os instrumentos privados de financiamento já conquistaram. Em junho de 2026, o estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) superou R$ 474 bilhões. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) somaram R$ 563 bilhões; os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), R$ 174 bilhões; e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs), mais de R$ 30 bilhões. A evolução é significativa quando comparada ao ano anterior. Em junho de 2025, por exemplo, o estoque de CPRs registrado na B3 estava acima de R$ 418 bilhões, enquanto CRAs somavam R$ 160 bilhões.Os Fiagros são outro exemplo dessa aproximação. Hoje, cerca de 57 fundos estão disponíveis na bolsa e a classe reúnem mais de 600 mil investidores pessoas físicas. Criados para direcionar recursos para diferentes atividades e ativos ligados às cadeias agroindustriais, eles ampliam as possibilidades de participação do investidor no financiamento do setor. A expansão desses instrumentos ajuda a conectar diretamente a necessidade de capital do campo à poupança dos investidores.“Quanto maior o número de investidores interessados no agro e maior a variedade de instrumentos disponíveis, mais possibilidades o setor produtivo tem para encontrar estruturas compatíveis com suas necessidades. Esse desenvolvimento contribui para um mercado mais profundo e capaz de acompanhar os ciclos de investimento de uma cadeia que é estratégica para o Brasil”, diz Masagão.Proteção também é parte do financiamentoPara além da captação de recursos, a capacidade de administrar riscos é um componente importante da sustentabilidade financeira dos negócios do campo. Contratos Futuros e Opções negociados na B3 permitem que produtores, cooperativas, entre outras diversas empresas ligadas à cadeia produtiva do agro se protejam de oscilações de preços e reduzam incertezas que podem afetar margens e planejamento. A procura por esses instrumentos vem crescendo. No Contrato Futuro de boi gordo, o volume médio diário negociado passou de cerca de R$ 650 milhões em 2025 para R$ 935 milhões em 2026. No futuro de milho, o número de contratos em aberto cresceu 55%.