Mercado da soja avança com exportações, enquanto milho recua no Brasil, aponta Cepea
Embarques da oleaginosa para a China seguem fortes, mas avanço da oferta pressiona preços do milho no mercado interno
11:00
Fonte: CNA
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), destacou que o Brasil segue liderando as exportações globais de soja, impulsionado principalmente pela forte demanda da China.Mesmo diante da pressão da ampla oferta interna, da desvalorização cambial e da queda das cotações domésticas, o ritmo acelerado dos embarques continua sustentando a receita do setor.Em abril, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja, o maior volume já registrado para o mês na série histórica da Secex. O resultado representa alta de 15,35% frente a março e avanço de 9,6% na comparação com abril de 2025.Os embarques destinados especificamente à China cresceram 17,6% de março para abril. No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações brasileiras somaram 40,24 milhões de toneladas, também recorde para o período.Enquanto isso, o mercado interno de milhosegue pressionado pelo avanço da oferta. Segundo o Cepea, os preços do cereal continuam em queda devido ao andamento da colheita da safra de verão e aos elevados estoques de passagem da temporada 2024/25.Nesse cenário, compradores indicam maior facilidade para negociações e aguardam novas baixas nos preços. Parte dos vendedores, por sua vez, tem mostrado maior flexibilidade nas vendas no mercado spot, diante da necessidade de liberar espaço nos armazéns e reforçar o caixa.De acordo com os pesquisadores, a entrada dos volumes da safra de verão de soja e milho, somada aos estoques remanescentes da temporada passada, tem aumentado a pressão sobre a armazenagem.As quedas nas cotações do milho, porém, não foram mais intensas devido às preocupações climáticas sobre a segunda safra. Algumas regiões produtoras enfrentam falta de chuvas e temperaturas elevadas, enquanto a previsão de avanço de frentes frias também voltou ao radar do mercado.Caso essas condições se confirmem, o potencial produtivo poderá ser comprometido. Até o momento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção da segunda safra de milho em 109,11 milhões de toneladas.