Painel do GAFFFF 2026 discutiu perspectivas para milho, trigo e soja, além de regulação internacional e outros desafios o agronegócio brasileiro
Durante o primeiro dia do Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, o futuro dos mercados de commodities agrícolas estratégicas foi tema do Painel 4C, intitulado “Grãos no Cenário Global: Inovação, Produtividade e Competitividade Internacional”.A discussão reuniu o presidente da Maizar, Federico Zerboni, o prefeito de Sorriso (MT), Alei Fernandes, o líder de Grãos da DATAGRO, Flávio França Jr., e a gerente de Política Comercial do U.S. Grains and Bioproducts Council, Sarah McLeeson.
Novo ciclo de alta nos grãos
Segundo França, a equipe de análise da DATAGRO identifica sinais de um novo ciclo de valorização dos mercados de grãos, com início em 2026 e possibilidade de continuidade em 2027. O movimento é impulsionado principalmente pela redução da oferta global de milho e trigo, em meio a perdas nas safras dos Estados Unidos e da Europa, além de restrições no comércio internacional.A soja também apresenta perspectiva de alta, mas parte de uma oferta global maior em comparação com milho e trigo. Para França, a redução dos estoques globais, associada ao crescimento do consumo internacional, deve sustentar as cotações da oleaginosa mesmo diante dos ganhos de produtividade.O analista também chamou atenção para os efeitos do clima sobre a próxima safra. Segundo ele, “a ocorrência de um El Niño forte pode provocar chuvas abaixo da média em algumas regiões produtoras”.França destacou ainda fatores que limitam a competitividade da agricultura brasileira, como a falta de políticas de longo prazo, a insegurança fundiária, os juros elevados e o endividamento. Na avaliação do analista, esses elementos restringem o potencial de expansão da produção nacional.Regulação desafia comércio internacional
Outro ponto discutido no painel foi a necessidade de maior convergência entre as regras que regulam a produção e o comércio de grãos. Segundo Sarah McLeeson, o U.S. Grains and Bioproducts Council atua na busca por maior padronização das normas aplicadas à exportação e ao consumo de grãos e de seus coprodutos, como óleos destinados à alimentação e à produção de biocombustíveis.Para McLeeson, a livre competição entre os países precisa ser acompanhada por padrões regulatórios comuns, capazes de reduzir entraves ao comércio e dar maior previsibilidade às empresas.Entre os temas em discussão estão as regras para produção e comercialização de grãos geneticamente modificados e a regulamentação do setor de insumos, que também enfrenta pressão decorrente da alta de preços.Sorriso: exemplo prático de boa gestão pública do agronegócio
O prefeito de Sorriso, Alei Fernandes, apresentou os desafios de administrar um dos principais polos agrícolas do país diante do crescimento populacional e econômico do município.Segundo ele, a cidade cresce entre 10% e 12% ao ano e já trabalha com um planejamento para os próximos 30 anos. Ou seja, o munícipio em Mato Grosso é um exemplo prático do que um agronegócio em franca expansão pode fazer por um território que investe no setor.Fernandes também destacou a sustentabilidade como uma das prioridades para o futuro da agricultura. “Temos que mudar essa imagem de que produtor destrói o meio ambiente, o agricultor é um guardião dos recursos naturais”, afirmou.