Nova sobretaxa dos EUA impacta US$ 12,5 bilhões em exportações brasileiras
Segundo análise da Amcham, medida alcançará cerca de 3 mil produtos nacionais
19:38
Fonte: Alan Santos
A decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada nesta quinta-feira (23), de aplicar sobretaxas sobre determinadas importações originárias de 60 economias, incluindo uma alíquota de 12,5% para o Brasil, como resultado da investigação da Seção 301 sobre bens produzidos com trabalho forçado, agrava as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano.Com entrada em vigor em 24 de julho, a medida alcançará cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos, mostram cálculos da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% — um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais.Esse cenário compromete ainda mais a competitividade das exportações brasileiras para os Estados Unidos e tende a aprofundar a trajetória de retração do comércio bilateral. Também poderá elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos, fragilizar cadeias produtivas integradas entre os dois países e afetar os investimentos bilaterais."A nova tarifa amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras, com diversos setores sujeitos a sobretaxas expressivas de 37,5%. A reversão desse cenário passa necessariamente pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados", afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.A Amcham Brasil reitera que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros.A entidade reforça o pedido de continuidade das negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos como solução para reverter as sobretaxas, ampliar a previsibilidade para empresas e investidores e avançar na construção de uma agenda bilateral positiva.