Novo ciclo de alta das commodities se aproxima, assinala o economista Ricardo Amorim
Valorização das cotações do petróleo, devido, sobretudo às guerras em curso, e efeitos que os tarifaços dos EUA estão provocando na economia global dão sustentação à projeção
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Um novo ciclo de alta das commodities agrícolas se aproxima, impulsionado pela valorização das cotações do petróleo, devido, sobretudo às guerras em curso, e pelos efeitos que os tarifaços dos Estados Unidos estão provocando na economia global. Foi o que projetou o economista Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria, nesta terça-feira (11), no primeiro dia do Congresso Andav, na capital paulista.Amorim assinalou que o governo Trump vem adotando a escalada de tarifas comerciais como um instrumento para diminuir o déficit norte-americano, numa tentativa de priorizar a produção local. Ao mesmo tempo, disse o economista, a imposição desta estratégia da Casa Branca de importar menos e exportar mais vem acarretando automaticamente na desvalorização do dólar. "O Real mesmo registra alta de 8,3% sobre a moeda norte-americana no ano."O economista explicou que a desvalorização do dólar fortalece outras moedas, o que aumenta o poder de compra internacional para aquisição das commodities, numa espiral que leva naturalmente ao aumento da demanda e consequente elevação dos preços globais. "Quando o dólar cai diante da cesta global de moedas as importações em geral crescem."Neste cenário de transformações geopolíticas, Amorim acentuou, ainda, o protagonismo do Brasil na produção de alimentos e de energia, do petróleo - já que nos tornamos exportadores, apesar da baixa capacidade interna de refino - a fontes renováveis. "Mas, poderíamos estar ainda mais bem posicionados. Falta ao Brasil estabelecer um projeto estratégico nesta agenda. Um plano coerente que impulsione as vantagens comparativas e competitivas, que no agro, já temos."