Percevejo-marrom e doenças desafiam a soja na safra 2026/27
El Niño pode alterar a pressão fitossanitária nas regiões produtoras da oleaginosa na próxima temporada
13:40
Fonte: Mateus Dias / Aprosoja MT
A combinação entre oscilações climáticas, doenças fúngicas e pressão de pragas coloca a sanidade da soja entre os pontos de atenção da safra 2026/27, uma vez que a influência do El Niño pode causar cenários distintos entre as regiões produtoras, com previsão de mais chuvas no Sul e condições mais secas no Centro-Oeste. Por isso, o acompanhamento das lavouras será importante para identificar mudanças na ocorrência de problemas fitossanitários e orientar as decisões de manejo.Entre as principais doenças estão a ferrugem-asiática, a mancha-alvo e as doenças de final de ciclo, como mancha-parda e crestamento foliar de cercóspora. Essas enfermidades podem provocar perda de área foliar e prejudicar o enchimento dos grãos. De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), perdas de 10% a 90% da produção já foram registradas em regiões onde a ferrugem-asiática ocorreu em níveis epidêmicos.O percevejo-marrom também merece atenção, principalmente durante a fase reprodutiva da soja. Conforme explicado pelo pesquisador em entomologia, Clérison Perini, os danos podem superar uma saca por hectare para cada percevejo por metro quadrado. Além das perdas de produtividade, o inseto pode comprometer a qualidade dos grãos e das sementes.O monitoramento da população de percevejos, a observação dos sintomas de doenças e a consideração do histórico da área ajudam a orientar as medidas de controle. Como a pressão fitossanitária varia conforme o clima e a região, o planejamento precisa ser ajustado ao longo do ciclo, com atenção especial às fases em que a cultura define o rendimento da lavoura.