Combustíveis e demanda por insumos impulsionaram custos do transporte rodoviário no mês passado
15:41
Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os valores praticados em setembro para o transporte rodoviário de grãos nos principais corredores logísticos do país foram impulsionados pela alta no preço dos combustíveis e pela movimentação de insumos para o plantio da safra 2026/27, destaca o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na terça-feira (27). Na variação anual, os fretes também mantiveram a tendência inflacionada, refletindo os custos operacionais e a disponibilidade regional de transportes, além do volume histórico da produção brasileira de grãos no ciclo 2025/26, com consequente aquecimento nas exportações agrícolas.No acumulado entre janeiro e setembro, os embarques de soja alcançaram 100,1 milhões de toneladas, valor 6,69% acima do registrado no mesmo período de 2025. Já os envios de milho ao exterior chegaram a 19,6 milhões de toneladas no total dos primeiros nove meses deste ano, com redução de 15,69% no comparativo anual, o que resulta da elevação da oferta do cereal no mercado internacional e do aumento do consumo interno,Apesar das reduções esperadas para o mês de setembro, os fretes apresentaram variação positiva em mais da metade das rotas originadas em Mato Grosso, com crescimento de até 6,3%. Esse patamar de cotações, observado em um período de entressafra, está associado ao mercado do milho, tanto em relação ao volume produzido na segunda safra do grão no estado quanto ao consumo interno, que praticamente dobrou nos últimos cinco anos.Em Mato Grosso do Sul, o comportamento mensal dos preços foi de decréscimo, com desvalorização de até 11,9% no eixo entre São Gabriel do Oeste e o Porto de Paranaguá. No cenário das exportações, o aumento dos embarques de milho e a redução dos de soja, em volume conjunto, contribuíram para o arrefecimento das tarifas.Ainda na região Centro-Oeste, a demanda por fretes de escoamento de grãos em Goiás demonstrou a retração esperada para o período, variando entre queda de 3,6% e incremento de 27,2%. Por outro lado, a internalização de adubos e fertilizantes, assim como de sementes, aqueceu as rotas para o plantio da próxima safra, com peso significativo do do preço do diesel nos valores dos fretes praticados. No Distrito Federal, os fretes registraram incremento mensal em todas as rotas, com maiores percentuais nos trajetos com destino aos portos de Paranaguá (PR) e Imbituba (SC), na região Sul do país, com valores reajustados em 5% e 4,2%, respectivamente.Nas praças baianas, o crescimento nos fretes agrícolas foi superior a 3,5% na maior parte das rotas pesquisadas, com destaque para as originadas em Luís Eduardo Magalhães. O transporte de pluma de algodão contribui para a elevação das cotações, também influenciadas pelas importações de insumos. Já no Piauí, a média mensal dos fretes decresceu 5% em relação ao mês de agosto, enquanto no Maranhão a movimentação de cargas agrícolas no mês foi mais limitada, com fretes tendendo ao recuo. Nas rotas internas, os subprodutos do milho, derivados da produção de etanol, têm mobilizado fluxos de transporte com origem na região de Balsas, no sul do estado.Dentre as rotas monitoradas pela Conab no eixo Sul-Sudeste, São Paulo teve recuo de 7,65% no preço médio mensal dos fretes, com declínio percentual em todos os trajetos que fazem parte da pesquisa. Além da sazonalidade agrícola, o aquecimento do consumo interno de grãos justifica esse cenário. Nas praças mineiras, os fretes foram influenciados pela finalização da colheita do café e início do plantio da soja, com foco no transporte de insumos e tendência ao recuo nas rotas destinadas às exportações.