Últimas notícias
Agricultura

Produção de etanol em Mato Grosso deve crescer 16% na safra 2026/27, projeta Imea/Bioind-MT

Expansão do etanol de milho deve levar produção estadual a 8,44 milhões de m³ e reforçar protagonismo do estado no setor de biocombustíveis

14:39

Fonte: Wenderson Araujo/Trilux (CNA)
Fonte: Wenderson Araujo/Trilux (CNA)
A produção de etanol em Mato Grosso deve crescer 16,08% na safra 2026/27, alcançando 8,44 milhões de metros cúbicos, segundo estudo elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) a pedido da Bioindústrias de Bioenergia de Mato Grosso (Bioind-MT).

O avanço será impulsionado principalmente pela expansão do etanol de milho, segmento em que Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais.

“Nossa estimativa mostra que o avanço será sustentado principalmente pela expansão do etanol de milho”, afirmou Silvio Rangel.

“Além de fortalecer a segurança energética e a economia do país, o setor se posiciona como estratégico para o futuro da descarbonização dos transportes, com potencial crescente no fornecimento de combustíveis renováveis para aviação e navegação marítima”, acrescentou.

Para a atual temporada 2025/26, o levantamento já projeta crescimento de 8,52% na produção estadual de etanol, totalizando 7,27 milhões de metros cúbicos, enquanto a produção nacional deverá permanecer praticamente estável, com leve alta de 0,22%.

Com isso, Mato Grosso mantém a segunda posição no ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo.

Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de metros cúbicos, alta de 9,89% frente ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve somar 1,09 milhão de metros cúbicos, avanço de 1,37%.

Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior no segmento de milho. A produção deverá crescer 18,67%, alcançando 7,33 milhões de metros cúbicos.

No caso do etanol de cana, o avanço previsto é mais moderado, de 1,42%, para 1,11 milhão de metros cúbicos.

“O levantamento mostra que Mato Grosso segue ampliando sua relevância estratégica para a matriz energética brasileira. O crescimento do etanol de milho demonstra a capacidade de integração entre produção agrícola, indústria e geração de energia renovável”, destacou Rangel.

O estudo também aponta expansão da moagem de milho destinada à produção de etanol.

Na safra 2025/26, o volume processado deve atingir 13,81 milhões de toneladas, crescimento de 10,45%. Já para 2026/27, a projeção indica alta de 18,52%, alcançando 16,36 milhões de toneladas, impulsionada pela entrada em operação de duas novas plantas industriais no estado.

Além do combustível, a cadeia do etanol de milho também deverá ampliar a produção de coprodutos.

A produção de DDG e DDGS — grãos secos de destilaria utilizados principalmente na nutrição animal — deve crescer 16,14% em 2026/27, chegando a 3,41 milhões de toneladas.

Já a produção de óleo de milho deverá avançar 12,9%, alcançando 338,9 mil toneladas.

No segmento sucroenergético, a moagem de cana-de-açúcar deve permanecer praticamente estável no próximo ciclo, com previsão de 18,61 milhões de toneladas, alta de 0,39%.

A produção de açúcar, por outro lado, deverá registrar leve retração de 1,42%, para 579,7 mil toneladas.

As projeções de longo prazo do Imea indicam continuidade da expansão da indústria de biocombustíveis em Mato Grosso. Segundo o levantamento, o estado poderá produzir 15,02 milhões de metros cúbicos de etanol até a safra 2033/34, mais que o dobro do volume estimado para 2025/26.

O estudo também destacou os impactos ambientais da cadeia de bioenergia. Segundo o relatório, os Créditos de Descarbonização (CBIOs) já representaram mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO₂ desde o início do programa, sendo 40,06 milhões de toneladas apenas em 2025.

Somando produção de etanol e geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia de Mato Grosso já responde por mais de 12 mil empregos diretos e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.

Mais Notícias