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Produção e comércio de alimentos orgânicos ainda têm muito a crescer no Brasil, avaliam especialistas

País combina consumo em crescimento, 25,1 mil unidades cadastradas em 2025 e mais de um milhão de hectares orgânicos

14:43

Fonte: shutterstock
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O crescimento da produção e do comércio global de alimentos orgânicos foi o foco de um debate on-line promovido pela Rede de Socioeconomia da Agricultura (RSA), coordenada pela Embrapa. Transmitido pelo YouTube da Empresa, no dia 2 de junho, o evento reuniu quatro especialistas para discutir os desafios, oportunidades e perspectivas do setor no Brasil e no mundo.

Segundo os debatedores, o avanço da agricultura orgânica tem sido impulsionado pela crescente demanda dos países desenvolvidos, especialmente do hemisfério norte, e pela expansão dos mercados domésticos em nações em desenvolvimento, como o Brasil, China, Índia e países africanos.

O evento, que integra a série Debates em Socioeconomia, iniciativa da Assessoria de Estratégia (Aest) da Embrapa e executada pela RSA, reuniu pesquisadores da Embrapa e universidades para debater a evolução da produção orgânica, os mercados internacionais e os desafios para ampliar a participação brasileira no setor. A moderação foi feita pela pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Lucimar Santiago de Abreu, sob a coordenação de Job Lúcio Gomes Vieira, supervisor de Inteligência Estratégica da Aest.

Discutiram o estágio de desenvolvimento da produção orgânica no Brasil e em outros países, o papel das cadeias voltadas à exportação e aos mercados locais, o potencial de crescimento do setor, as demandas prioritárias de pesquisa e os obstáculos que ainda limitam sua expansão no país.

O debate abordou o estágio de desenvolvimento da produção orgânica no Brasil e em diferentes continentes, o potencial de crescimento do mercado, os gargalos que limitam a expansão do setor e as oportunidades para fortalecer a competitividade da cadeia produtiva. Um dos destaques foi a análise comparativa dos sistemas agroalimentares orgânicos do Brasil e da Dinamarca, buscando identificar fatores que favorecem ou dificultam o desenvolvimento da atividade em ambos os países.

Estudos apontam que os países em desenvolvimento atuam principalmente como exportadores de produtos orgânicos, enquanto os países desenvolvidos concentram as importações. No caso brasileiro, a produção orgânica ainda se mantém abaixo da média mundial, indicando amplo potencial de expansão tanto para abastecer o mercado interno quanto para ampliar a participação nas exportações.

A relevância do tema é reforçada pelo crescimento contínuo da agricultura orgânica em escala global. Dados internacionais indicam que o setor está presente em 187 países, reúne cerca de 3,1 milhões de produtores e movimenta mais de 106 bilhões de euros por ano. No Brasil, o mercado de orgânicos alcançou R$ 5,8 bilhões em 2020, registrando crescimento expressivo em relação ao ano anterior.

Cenário nacional e global do consumo e da produção de orgânicos


A coordenadora do Centro Vocacional Tecnológico em Agroecologia e Agricultura Orgânica, da Universidade de Brasília (CVTUnB), Ana Maria Resende Junqueira, iniciou sua apresentação afirmando que o consumo de orgânicos ainda é baixo no Brasil devido principalmente ao preço. Na pesquisa com consumidores realizada em 2025, cerca de 54% dos entrevistados não consumem orgânicos devido ao encarecimento dos produtos. No Brasil o consumo de orgânicos é de apenas 17 dólares per capita anual comparado a países da Europa, que consomem 400 dólares anuais em alimentos orgânicos.

Quanto às unidades de produção cadastradas no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO) em 2025, Sul e Nordeste concentram 70% das unidades. O Paraná é o estado que mais concentra unidades de produção destes alimentos, seguido do RS, do Pará, Bahia, São Paulo, Ceará, SC, Piauí, MG e Maranhão.

Paraná, Rio Grande do Sul e Pará lideram em número de Unidades. Para Ana Maria, “a concentração regional auxilia a discutir oferta, certificação, logística e capilaridade territorial”.

A pesquisadora apresentou dados de três instituições internacionais que agregam estudos para compreender os orgânicos pela ótica do consumo, produção cadastrada e sistema global: IBO/CNPO, Organis e FiBL/IFOAM.

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