Puxadas pelo agro, exportações para a Liga Árabe crescem 3,71% no ano até julho
Apesar do conflito no Oriente Médio, vendas brasileiras alcançaram US$ 11,26 bilhões nos sete primeiros meses do ano
17:39
Fonte: Mapa
O comércio entre Brasil e países árabes segue crescendo em 2026, apesar do conflito no Oriente Médio, que limita o trânsito de embarcações no Estreito de Ormuz e o acesso a mercados importantes do bloco de 22 países.De acordo com dados compilados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as exportações do Brasil para a Liga Árabe avançaram 3,71% entre janeiro e julho, totalizando US$ 11,26 bilhões, ao passo que as vendas árabes ao Brasil também cresceram, 12,22% no período, para US$ 6,13 bilhões. As comparações são com o mesmo período de 2025.“No início do ano, fomos todos surpreendidos por conflitos na região do Golfo cujos impactos foram sentidos nos quatro cantos do mundo”, disse o presidente da entidade, William Adib Dib Júnior, no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado pela Câmara Árabe nesta terça (25), na capital paulista.“Ao longo dos meses subsequentes, a resiliência do agronegócio brasileiro, das cadeias de fertilizantes árabes e dos sistemas logísticos internacionais permitiram minimizar os efeitos desta situação”, afirmou, referindo-se ao esforço de reorganização dos modais logísticos na região para contornar restrições.Dib Júnior reconhece na relação bilateral resiliência e vitalidade, mas ainda acredita que há potencial a ser desenvolvido. Ele cita o fornecimento de alimentos, que hoje já é 75% da pauta de exportações. Segundo ele, o Brasil se destaca no envio de commodities alimentares, mas participa pouco do envio de industrializados, mesmo sendo competitivo.O dirigente também vê potencial para avançar a cooperação no campo da energia limpa e da descarbonização. Defende também que empresas brasileiras considerem internacionalizar operações nos países árabes, que oferecem vantagens fiscais e logísticas em zonas francas, além de acordos de livre comércio com Europa e Ásia.“Brasil e países árabes mantêm sinergias evidentes para a integração dos ecossistemas produtivos, de inovação e também no turismo”, afirmou o dirigente. “Além disso, possuem mercados de consumo muito dinâmicos”, finalizou.