Sementes transgênicas estão presentes em praticamente 100% das lavouras certificadas de soja e algodão no Brasil
Estudo revela também avanço no uso de tecnologias não certificadas — próprias (salvas) ou piratas —, que já representam um em cada cinco hectares cultivados
14:56
Fonte: Embrapa
A biotecnologia está presente em praticamente 100% das áreas de soja e algodão cultivadas com sementes certificadas no agro brasileiro, indicam dados da CropLife Brasil, referentes ao ciclo 2025/26. "A biotecnologia é relevante porque permitiu ao Brasil produzir muito mais sem expandir a área na mesma proporção. Desde a introdução das chamadas sementes transgênicas, a área de soja e algodão cresceu 5% ao ano, enquanto a produção avançou 6,8%. E essa diferença vem da produtividade fornecida pela tecnologia. Com um clima mais instável e pragas cada vez mais resistentes, o insumo agrícola também dá resiliência à lavoura, por isso continuar investindo em pesquisa é essencial”, assinala o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides.Na soja, a biotecnologia que combina resistência a insetos e tolerância a herbicidas é a predominante na cultura, presente em 38 milhões de hectares na safra 2025/2026, o equivalente a 78% da área total plantada.Um exemplo de destaque é a tecnologia Baccilus thuringiensis (comumente conhecida como Bt), uma bactéria de solo que produz proteínas com ação inseticida contra lagartas e insetos-praga. Na sequência, está a biotecnologia voltada exclusivamente para tolerância de herbicidas, que cobriu um milhão de hectares (2%) na última safra.No algodão, a mesma biotecnologia de dupla combinação ocupou 1,1 milhão de hectares na safra 2025/2026, o equivalente a 55% da área plantada. Diferente da soja, na cotonicultura a adoção de biotecnologia voltada exclusivamente para resistência a insetos ocupa o segundo lugar, com 800 mil hectares (40%).O levantamento revela também o avanço no uso de sementes não certificadas — próprias (salvas) ou piratas —, que já representam um em cada cinco hectares cultivados. Entre as safras 2021/2022 e 2025/2026, a área com estas sementes avançou 210%.