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Valor da rastreabilidade no agro passa pela integração entre diversas bases de dados

Hoje, informações estão dispersas em várias fontes, o que dificulta comprovação de origem e da jornada de produção; código de barras é ferramenta de confiabilidade

16:40

Fonte: Shutterstock
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A capacidade de comprovar a origem e as condições de produção dos alimentos, ou seja, a jornada de rastreabilidade, pode se tornar um fator decisivo para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional. O desafio, porém, vai além da adoção de tecnologias. O setor precisa integrar informações hoje dispersas entre diferentes sistemas, garantir a confiabilidade dos registros e transformar esses dados em evidências que atendam às exigências de compradores e mercados importadores. Essa foi uma das questões centrais discutidas no Agro em Código 2026, promovido pela Embrapa e pela Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, com apoio do Cubo Itaú.

A rastreabilidade permite acompanhar a trajetória de um produto e comprovar atributos relacionados à sua origem, qualidade, segurança e conformidade socioambiental. Na prática, essas informações podem apoiar a gestão das cadeias produtivas, facilitar a resposta a questionamentos comerciais e ajudar empresas brasileiras a demonstrar o cumprimento de requisitos exigidos por outros países.

Um dos entraves está na fragmentação dos dados. Na cadeia pecuária, por exemplo, informações sobre o trânsito de animais e a regularidade ambiental das propriedades seguem registros e sistemas distintos. Durante o encontro, especialistas apontaram a necessidade de integrar essas bases para construir uma comprovação mais consistente sobre a origem e as condições de produção.

Da obrigação de comprovar à oportunidade de negócio

A rastreabilidade também pode ajudar produtores a demonstrar características que diferenciam seus produtos. Um dos exemplos apresentados no evento foi uma iniciativa voltada a produtores de café que utilizam QR Codes para compartilhar informações sobre a origem, a qualidade, a pontuação do produto e a região de produção. Segundo dados apresentados no encontro, mais de 4 mil produtores de café participam da iniciativa, cujos códigos já foram acessados em mais de 100 países.

Integração de dados é parte da resposta

A tecnologia, isoladamente, não resolve o problema. Especialistas que participaram do Agro em Código ressaltaram que ferramentas como blockchain podem ajudar a preservar registros, mas sua utilidade depende da qualidade e da confiabilidade dos dados que alimentam os sistemas.

A integração entre bases públicas, registros de produção e informações das empresas é, portanto, um dos pontos necessários para dar consistência à rastreabilidade. Sem dados primários confiáveis e critérios compatíveis entre os diferentes sistemas, a capacidade de comprovar a origem e as condições de produção permanece limitada.

O desafio também envolve os pequenos produtores e negócios, que nem sempre dispõem de estrutura ou recursos para atender às mesmas exigências de empresas de maior porte. Com soluções acessíveis e iniciativas de capacitação podem contribuir para ampliar a adoção da rastreabilidade sem criar barreiras adicionais de acesso ao mercado.

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