Vendas de máquinas agrícolas caem 15,8% no Brasil, enquanto que importações avançam 42%
Mercado interno é pressionado por crédito caro e menor rentabilidade no campo; compras externas somaram 11,2 mil unidades entre janeiro e setembro
14:09
Fonte: shutterstock
As vendas internas de máquinas agrícolas no varejo somaram 27 mil unidades até agosto de 2026, queda de 15,8% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).Entre as colheitadeiras, a retração foi ainda mais acentuada, de 39,4%. Já as vendas de tratores no mercado doméstico recuaram 14,1% no período.O movimento ocorre em um ambiente de crédito mais caro, endividamento elevado e rentabilidade pressionada no setor agropecuário. Na avaliação da Anfavea, a menor capacidade de geração de caixa dos produtores tem limitado os investimentos em novos equipamentos.No caso das colheitadeiras, que exigem aportes mais elevados, a decisão de compra é especialmente sensível às condições de financiamento.Enquanto o mercado doméstico recua, as importações de máquinas agrícolas cresceram 42% entre janeiro e setembro, para 11,2 mil unidades. O volume é mais que o dobro das cerca de 5 mil máquinas exportadas pelo Brasil no mesmo intervalo.O avanço dos equipamentos estrangeiros é particularmente forte entre os tratores. As importações brasileiras de tratores fabricados na China cresceram 117% de janeiro a setembro de 2026, atingindo aproximadamente 5,2 mil unidades.
Máquinas chinesas avançam nas compras públicas
A participação dos equipamentos importados também aparece nas compras realizadas pelo setor público. Em 2025, máquinas autopropulsadas de origem chinesa representaram 33,5% das unidades licitadas no país e responderam por 26% do valor total das aquisições, segundo levantamento da Anfavea baseado em dados do Portal Nacional de Contratações Públicas.A análise reuniu 10.603 equipamentos, que movimentaram cerca de R$ 3,7 bilhões.Entre os tratores agrícolas, foram licitadas 3.318 unidades, das quais 65% eram importadas. Em outras categorias, a produção nacional manteve maior participação, respondendo por 84% das retroescavadeiras e 86% das escavadeiras hidráulicas adquiridas.Além da demanda doméstica mais fraca e do avanço das importações, a Anfavea aponta aumento dos custos de insumos utilizados na fabricação dos equipamentos.Segundo a entidade, a manutenção da alíquota de importação de 20% sobre resinas plásticas e polímeros, somada à aplicação de medidas antidumping, pode elevar entre 4% e 7% o custo desses componentes.A combinação entre retração do mercado interno, aumento dos custos industriais e crescimento das importações amplia a pressão competitiva sobre os fabricantes nacionais de máquinas agrícolas.