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A Hike Is the Easy Part

Por Alex Lima

14:10

A Hike Is the Easy Part
Quando se observa mercados há muito tempo e se leva a vida escrevendo sobre eles, aprende-se uma coisa: não se deve gastar muito tempo explicando o que os preços fazem no dia a dia. O que o mercado dá hoje pode tirar amanhã. Mas experimente analisar mercados sem mencionar as cores do price action. É como pintar um quadro renascentista sem usar cores. E investidores não gostam de tons de cinza.

A alta das bolsas na sexta-feira, apesar de um CPI americano acima do esperado, não representava uma percepção de que a inflação está sob controle. Mostrava apenas que, por algumas horas, o mercado preferiu olhar para a melhora marginal do conflito no Golfo — mais uma tentativa, recorrente em 2026, de antecipar uma desescalada que ainda não chegou.

Nesta segunda-feira, os riscos do mundo físico voltaram a ocupar o centro da tela. O Brent voltou a negociar próximo de US$ 109 por barril, o Treasury de 10 anos tocou 5% e o bond de 30 anos alcançou 5,37%. Ao mesmo tempo, o S&P 500 cai cerca de 0,6%, o Nasdaq recua aproximadamente 1% e as perdas se espalham pelas bolsas globais. A mensagem conjunta dos mercados é clara: o choque no mundo físico está chegando à inflação, à curva de juros e, finalmente, às equities.

A Arábia Saudita interrompeu as operações do pipeline estratégico East-West após ataques com drones e mísseis atribuídos aos Houthis. O oleoduto transporta petróleo do leste saudita até Yanbu, no Mar Vermelho, permitindo que parte das exportações contorne o estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, foi adiada uma reunião entre países do Golfo e o Irã que poderia acelerar um acordo temporário para a navegação regional.

O resultado é um Brent negociando a 109 dólares, cerca de 80% acima da média próxima de US$ 60 observada em 2025. Não estamos mais discutindo apenas um prêmio geopolítico abstrato: a guerra está atingindo infraestrutura física, rotas de exportação e custos efetivos de transporte.

Nossa tese é que esse choque ocorre no pior momento possível. Petróleo, gás e fretes agora acrescentam inflação a um mercado que já exigia maior term premium. O custo do transporte de petróleo em um VLCC entre o Golfo e a China está cerca de 260% acima da média histórica da nossa série. O gás natural negocia aproximadamente 90% acima da média dos últimos dois anos, enquanto o petróleo faz novas máximas no segundo semestre. Os nowcasts para o CPI cheio de setembro já se aproximam de 0,4% na margem. Há, portanto, inflação adicional ainda a ser incorporada aos índices — e, potencialmente, às expectativas.

É nesse ambiente que o Treasury de 10 anos volta a testar 5%. Esse nível não é apenas psicologicamente importante. Yields próximos de 5% permitem que seguradoras e fundos de pensão comprem bonds longos, casem melhor seus ativos e passivos atuariais e reduzam a exposição necessária a ativos de risco. Esse fluxo pode criar demanda por Treasuries, mas também retirar demanda marginal das bolsas. Com o S&P 500 negociando ao redor de 21 vezes o lucro esperado, seu earnings yield é de aproximadamente 4,8% — inferior ao yield nominal oferecido pelo Treasury de 10 anos.

E a semana está apenas começando.

Na quarta-feira, o FOMC se reúne com o mercado atribuindo cerca de 90% de probabilidade a uma alta de 25 pontos-base. Nossa expectativa é que o Fed entregue o hike. Com a decisão praticamente incorporada aos preços, subir os juros é a parte fácil. O desafio será impedir que o choque de energia e logística contamine a credibilidade da curva longa.

Se o Fed não entregar o hike, o risco é uma torção violenta na curva: a ponta curta devolve parte da alta precificada, enquanto a longa cobra mais prêmio de inflação e de credibilidade. E, mesmo entregando o hike, uma comunicação pouco firme sobre o balanço de riscos pode não ser suficiente para estabilizar a ponta longa.

Kevin Warsh não gosta de forward guidance. Nesta quarta-feira, porém, precisará ser claro sobre o balanço de riscos e sobre as três altas que a curva precifica até março. O mercado não exige uma promessa mecânica. Exige que o novo chairman demonstre reconhecer o que mudou. O hike está no preço. A credibilidade, ainda não.

Por Alex Lima, fundador e estrategista-chefe de conteúdo da DA Economics.

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