“Ecolideranças x Egolideranças”, eis a Agroquestão
Por José Luiz Tejon
17:21
Líderes do agronegócio sabem muito bem que a palavra agronegócio tradução de “agribusiness” significa um sistema gigantesco que reúne todos os fatores desde a ponta da ciência até a percepção do consumidor final. São centenas de cadeias produtivas que impactam direta e indiretamente pelo menos metade do PIB do país.O seu conceito é amplificado e ampliado a cada passo da ciência, e dos descobrimentos da presença praticamente universal de tudo o que produzimos no agro indo para a atual visão de um “health system”, a “saúde única” do planeta, onde produtoras e produtores rurais serão chamados de “agentes da saúde” em questão de pouco tempo.O carbono, sustentabilidade, atmosfera, natureza, solo, subsolo, saúde física, mental e estado de espírito do “labor” se encontram nas atividades “adicionadas” das fontes dos campos, águas, mares e dos ares.Porém, isso não se fará mais apenas falando dessa tendência e, sim, doravante precisamos de uma convergência. O agro precisa aprender a jogar junto, se estruturar, ter coordenação e lideranças voltadas a orquestração de um “ecossistema” muito além de partes e componentes isolados, e “atletas” que sabem jogar individualmente, mas que não formam um time e também onde ainda não compreendam que não será mais possível vencer os campeonatos agro mundiais sem gestão, organização, ordem, prosperidade e cooperação de todos.Planejamento estratégico público e privado reunido num plano de estado. Por isso os líderes precisarão assumir uma inteligência de “ecolíderes” para construir ecossistemas integrados versus “egolíderes” que parecem estar juntos, mas não estão, terminam por formar “egossistemas”. Portanto, atuar decisivamente nas normativas, regras e decisões envolvendo o conceito da segurança alimentar, sustentabilidade e responsabilidade social a nível mundial não se trata mais de querer ou não querer.Passa a ser obrigação e dever. Reestruturar leis que se perderam no tempo e que impedem a evolução por exemplo da segurança de fertilizantes. Significa perder tempo e impedir que o país tenha como foco vender mais e agregar mais valor e ser percebido no mundo como uma nação da paz como repete Roberto Rodrigues, superando discussões que na sua imensa maioria são realizadas por preconceitos e egos como explica Plínio Nastari outro líder visionário que me disse que se não orquestrarmos todas as peças desse sistema do agronegócio, doravante iremos perder o “timing”.Ou seja, não temos mais 50 anos para fazer o que fizemos até aqui e, sim, precisamos de um plano estratégico de estado que conjugue aquilo que tem que ser feito formando um real “sistema” e não peças espalhadas num tabuleiro, ou mesmo numa IA onde algoritmos não conversem entre si.Participamos de congressos, eventos, aulas, palestras, reuniões pelo país todo, mas se não construirmos um time, nem com Pelé ganharemos campeonatos agromundiais, cada vez mais olímpicos. Maurilio Biagi, outro líder visionário, nos diz: “precisamos da união da comunicação, não tem sentido o mundo desconhecer o que fazemos de bem feito e do exemplo da ‘raça’ e coragem dos agricultores”. Arnaldo Jardim, líder do agroconsciente, acrescenta: “Brasil, segurança alimentar e energética também”.De fato, a originação já traz nela agregação de valor lá dentro da fazenda. Líderes “agroconscientes” sabem que ordem e progresso só faremos com a harmonia, a reunião dos diferentes e a “anestesia” antipolarização e divisão. Precisamos jogar juntos, precisamos da orquestração com a indústria, comércio, serviços, agropecuária, cooperativismo, ciência e educação, as confederações nacionais empresariais, as federações estaduais, juntas e reunidas, precisamos que o setor privado não espere só de governos e que de exemplo de uma “maestria” que permita criar uma sinfonia agro brasileira que eleve a soma do montante das cadeias agro do país para mais de US 1 trilhão. (Hoje na casa de US$ 600 bi).O Brasil merece, o mundo precisa e nós podemos fazer. “Ecolideranças x egolideranças”, eis a questão!José Luiz Tejon é doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, jornalista e publicitário, com especializações em Harvard, MIT e PACE/USA e Insead na França. Colunista de várias rádios do Brasil, TVs, jornais, revistas, mídias sociais, autor e coautor de 37 livros. Coordenador acadêmico de Master Science Food & Agribusiness Management pela Audencia em Nantes/França e FECAP/Brasil. Sócio Diretor da Biomarketing e da TCA International. Vice-presidente da Fundação Brasileira de Marketing (FBM) e da ADVB - Fundação Brasileira de Marketing e Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil. Profissional Head Agro Anefac. Prêmio Personalidade Agro ABAG 2023. Ex-diretor do Grupo Estadão, da Agroceres e da Jacto S/A.