Últimas notícias
Artigos

Extração – onde a eficiência industrial se inicia

Por Luiz Francisco Lomônaco

14:19

Extração – onde a eficiência industrial se inicia
A etapa de extração em uma usina de açúcar e etanol é um dos processos mais críticos e determinantes para a eficiência industrial. Trata-se do momento em que o caldo rico em sacarose é retirado da cana-de-açúcar, matéria-prima fundamental para a produção desses dois importantes produtos. A qualidade dessa fase impacta diretamente o rendimento industrial, os custos operacionais e a sustentabilidade do processo. Vale lembrar que o açúcar não retirado nessa etapa não é recuperado em nenhuma fase seguinte do processo.

Por toda esta importância na eficiência industrial, o BENRI avalia e utiliza este rendimento como um dos KPIs parciais (indicadores-chave de desempenho) para a determinação do rating geral de uma usina sucroenergética.

Na prática, a eficiência da extração é medida principalmente pela porcentagem de sacarose recuperada em relação à quantidade presente na cana processada. Perdas nessa etapa podem ocorrer por diversos fatores, como regulagem inadequada das moendas, baixa eficiência de embebição, falhas no preparo da cana ou desgaste dos equipamentos. Por isso, o monitoramento constante e a manutenção preventiva são fundamentais para garantir o desempenho ideal.

A ferramenta do rating BENRI tem como uma das finalidades fazer esta gestão, pois não basta só saber se a extração está ruim: o mais importante é identificar onde e por que esta eficiência não está adequada.

A extração propriamente dita pode ocorrer por dois métodos principais: moagem ou difusão, como descrito a seguir.

No método tradicional de moagem, a cana preparada é submetida a sucessivas passagens por conjuntos de moendas, que são equipamentos compostos por rolos de alta pressão. Esses rolos comprimem a fibra da cana, extraindo o caldo. Normalmente, utiliza-se um sistema em tandem, com várias moendas em série, para maximizar a retirada do caldo.

Já na difusão, a extração ocorre por meio da lavagem da cana desfibrada com água quente em um equipamento chamado difusor. Nesse método, a sacarose é extraída por transferência de massa, à medida que a água atravessa o material fibroso, em princípio semelhante ao de uma infusão.

Como são diferentes os princípios de extração entre os dois sistemas, os indicadores de avaliação e controle também diferem. Desta forma, o BENRI utiliza, nos seus procedimentos de avaliação do KPI extração, informações e dados que nem sempre são os mesmos.

Esta capacidade de interpretação dos dados conforme o tipo de processo é fundamental para a determinação da coerência das informações e da correlação destes dados com o valor final da eficiência industrial. Este processo de avaliação é uma especialidade da auditoria do BENRI.

Desafios Operacionais


A extração do caldo enfrenta diversos desafios no ambiente industrial. A variabilidade da matéria-prima, influenciada por fatores como maturação, teor de fibra e condições climáticas, impacta diretamente o desempenho dos equipamentos.

Além disso, o desgaste mecânico dos componentes, como rolos e chapas, pode reduzir a eficiência ao longo da safra. A manutenção adequada e o monitoramento contínuo são essenciais para garantir desempenho estável.

Outro ponto crítico é o equilíbrio entre eficiência de extração e consumo energético. Aumentar a pressão ou a embebição pode melhorar a recuperação de açúcar, mas também eleva o consumo de vapor e impacta etapas posteriores, como evaporação.

Avanços Tecnológicos


Nos últimos anos, a extração do caldo tem se beneficiado de avanços tecnológicos, incluindo automação e controle em tempo real. Sensores e sistemas de monitoramento permitem ajustes dinâmicos nas variáveis de processo, aumentando a eficiência e reduzindo perdas.

Além disso, melhorias no projeto de equipamentos e no controle de processo têm permitido maior estabilidade operacional, mesmo diante de variações na qualidade da cana.

Conclusão


A extração do caldo é um dos pilares da eficiência industrial na indústria sucroenergética. Seu desempenho influencia diretamente todos os processos subsequentes, desde a produção de açúcar até a fermentação alcoólica.

Investimentos em tecnologia, manutenção e capacitação operacional são fundamentais para maximizar a recuperação de sacarose e garantir competitividade no setor. Em um cenário de margens cada vez mais pressionadas, a excelência na extração do caldo deixa de ser apenas uma meta técnica e passa a ser uma necessidade estratégica. O BENRI tem ajudado seus clientes a atingir estas metas.

Por Luiz Francisco Lomônaco, diretor técnico industrial do BENRI 

Mais Notícias