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Os impactos dos indicadores de riscos operacionais nos resultados econômicos do setor sucroenergético

Por Otavio Tufi

17:54

Os impactos dos indicadores de riscos operacionais nos resultados econômicos do setor sucroenergético

No setor sucroenergético, parte relevante do resultado econômico é definida antes que seus efeitos se manifestem no custo final da cana ou na geração de caixa da unidade. Indicadores operacionais bem definidos e estruturados, que retratem a realidade da operação, são fundamentais para a elaboração de planos de ação que orientem novas rotas operacionais a serem seguidas.


Vários são os riscos operacionais em uma unidade agrícola, mas, quando o foco é a integridade econômica da unidade, o índice de grau de vulnerabilidade varietal indica o quanto a unidade deverá ser resiliente diante do risco de os agentes patológicos causarem danos econômicos no espectro de variedades cultivadas.


Já que, agronomicamente, cada variedade de cana-de-açúcar pode ser considerada uma monocultura e, quando a unidade produtora apresenta alta concentração varietal, o risco sanitário é vultoso, visto que há a possibilidade de fitopatógenos infectarem as variedades que predominam no censo varietal, o risco de a unidade perder competitividade em curto espaço de tempo é significativo.


Este indicador, nos dias atuais, pode ser alterado com maior rapidez por meio do uso de muda prébrotada (MPB) na formação dos viveiros de mudas, o que possibilita a adoção mais rápida de novas variedades.


Outro KPI de alto risco para a performance da unidade é a porcentagem de falhas no plantio, pois está diretamente relacionada ao potencial produtivo e à longevidade da cultura. A elaboração de POPs (Procedimentos Operacionais Padrão), sempre embasados em indicadores operacionais reais e com foco na excelência da qualidade agronômica do plantio, certamente proporcionará canaviais com baixo índice de falhas.


Ainda relacionado à qualidade do plantio, quando os primeiros cortes dos canaviais, sejam de 12 meses ou 18 meses, forem classificados em Ratings do “quartil do C”, muito dificilmente estes canaviais conseguirão galgar classificação de Ratings nos “quartis dos B e dos A” nos cortes subsequentes, visto que partiram de plantios de baixa qualidade.


O uso de ferramentas independentes, como o Rating Operacional BENRI, que avalia objetivamente o risco e a eficiência operacional, contribui para tornar mais transparente a relação entre a qualidade inicial e o desempenho futuro, aspecto fundamental para o planejamento agrícola.


Sem dúvidas, impactando a produtividade e a longevidade dos canaviais, o que ocasiona aumento significativo do custo de produção e redução do retorno econômico.


Dentre os vários indicadores de relevância, a distância média do canavial é um indicador de grande impacto na formação do custo do CTT (corte-transbordotransporte) da unidade, podendo representar até 51% do valor final da tonelada.


A depender da região onde a usina está instalada, alterar o raio médio no curto prazo pode ser impossível, visto que essa alteração depende de fatores de difícil manejo na competição por áreas agricultáveis, tais como a disputa com outras culturas, a alta concentração de unidades processadoras de cana, a dificuldade de dispor de áreas contíguas que favoreçam a mecanização agrícola, a topografia, entre outros.


Tal indicador, além de ser de suma importância na formação do custo agrícola, também impacta o “apetite” por operações de fusão e aquisição.


Além da distância média, outro indicador que afeta significativamente o custo do CTT é o Rendimento Médio de Colheita (RMC), que, se estiver aquém das metas planejadas, trará descontinuidade no abastecimento de matéria-prima para a indústria, maior consumo de óleo diesel por tonelada colhida e, por fim, refletirá na necessidade de incremento da estrutura de colheita, com reflexos significativos no custo final.


Além de indicadores que enfatizem o rendimento operacional da colheita, também são mensurados indicadores da qualidade operacional da colheita, entre os quais se destacam os KPIs de Porcentagem de Pisoteio na Soqueira e de Porcentagem de Abalo/Arranquio, ocasionados em maior ou menor escala, a depender da qualidade agronômica e operacional da colheita.


Em seguida, nas operações de plantio e colheita, o foco passa a ser os tratos culturais, com ênfase na eficiência na utilização racional dos resíduos industriais na fertilização da lavoura.


Nessa etapa, indicadores utilizados no Rating Operacional BENRI, serviço especializado em avaliar, de modo independente, o risco e a eficiência operacional das unidades, ajudam a medir, por exemplo, o índice de aproveitamento dos resíduos industriais.


Isso reduz a necessidade de aquisição de fertilizantes químicos e promove práticas agrícolas mais sustentáveis, que, além de outros benefícios, também trazem maior geração de CBIOs para a usina.


Somente a mensuração adequada, realizada com metodologias padronizadas e auditadas, poderá resultar em KPIs confiáveis que, se adequadamente utilizados, gerarão ganhos operacionais e, consequentemente, ganhos financeiros para as organizações do setor canavieiro.

Por Otavio Tufi, Diretor Técnico Agrícola e auditor do BENRI.

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