Bioinsumo desenvolvido pela UFRJ se mostra promissor na proteção de culturas agrícolas contra ataques de vírus
Tecnologia, baseada em uma molécula extraída desses microrganismos, fortalece defesa natural das plantas
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Fonte: Shutterstock
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentaram, nesta semana, na Rio Innovation Week, um bioinsumo capaz de proteger plantações contra doenças causadas por vírus, aumentar a produtividade das lavouras e reduzir a necessidade do uso de defensivos químicos.Segundo a professora Maite Vaslin, titular do Departamento de Virologia do Instituto de Microbiologia da UFRJ, a pesquisa nasceu para enfrentar um dos maiores desafios da agricultura: as doenças causadas por vírus nas plantações.“Hoje, quando uma planta é atacada por um vírus, praticamente não existe tratamento. Muitas vezes ela precisa ser eliminada, causando grandes prejuízos ao produtor. Nosso bioinsumo fortalece as defesas naturais da planta, ajuda a prevenir essas doenças e ainda aumenta a produtividade de forma sustentável.”O diferencial da tecnologia está justamente na forma como ela foi desenvolvida. Enquanto grande parte dos bioinsumos disponíveis atualmente utiliza bactérias ou fungos vivos, a solução criada pela UFRJ utiliza apenas uma molécula extraída desses microrganismos. Isso torna o produto mais estável, mais fácil de armazenar e aplicar, além de representar uma inovação inédita.Os resultados obtidos até agora chamam atenção. A tecnologia já foi testada em mais de seis culturas agrícolas diferentes, sempre com resultados positivos. Em uma fazenda de maracujá na Bahia, por exemplo, o uso do bioinsumo aumentou a produtividade em cerca de 75%, gerando um ganho estimado de aproximadamente R$ 70 mil por hectare plantado.Além de proteger as lavouras, o produto também funciona como um biofertilizante, contribuindo para o desenvolvimento das plantas sem causar impactos negativos ao meio ambiente ou aos microrganismos benéficos presentes no solo.“É uma tecnologia nacional que pode substituir gradualmente produtos mais poluentes, diminuir a contaminação do solo e da água e contribuir para uma agricultura mais sustentável”, destaca Maite. Depois de mais de uma década de pesquisas, a tecnologia já ultrapassou os testes de laboratório e vem sendo avaliada em fazendas comerciais. O projeto possui duas patentes depositadas e deu origem à startup Tolveg, criada por ex-alunas da UFRJ para levar a inovação ao mercado em escala comercial.Hoje, a empresa trabalha para ampliar a capacidade de produção e atender a demanda já existente pelo bioinsumo. A iniciativa também integra o Agrotec Inova Trip UFRJ, grupo contemplado em um programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) que aproxima pesquisadores, empresas e produtores rurais para desenvolver soluções voltadas às necessidades do setor agrícola. E conta com o apoio do Dr. Raul Carriello Rosa, pesquisador na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).