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Ciência e Tecnologia

Bioinsumo desenvolvido pela UFRJ se mostra promissor na proteção de culturas agrícolas contra ataques de vírus

Tecnologia, baseada em uma molécula extraída desses microrganismos, fortalece defesa natural das plantas

16:36

Fonte: Shutterstock
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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentaram, nesta semana, na Rio Innovation Week, um bioinsumo capaz de proteger plantações contra doenças causadas por vírus, aumentar a produtividade das lavouras e reduzir a necessidade do uso de defensivos químicos.

Segundo a professora Maite Vaslin, titular do Departamento de Virologia do Instituto de Microbiologia da UFRJ, a pesquisa nasceu para enfrentar um dos maiores desafios da agricultura: as doenças causadas por vírus nas plantações.

“Hoje, quando uma planta é atacada por um vírus, praticamente não existe tratamento. Muitas vezes ela precisa ser eliminada, causando grandes prejuízos ao produtor. Nosso bioinsumo fortalece as defesas naturais da planta, ajuda a prevenir essas doenças e ainda aumenta a produtividade de forma sustentável.”

O diferencial da tecnologia está justamente na forma como ela foi desenvolvida. Enquanto grande parte dos bioinsumos disponíveis atualmente utiliza bactérias ou fungos vivos, a solução criada pela UFRJ utiliza apenas uma molécula extraída desses microrganismos. Isso torna o produto mais estável, mais fácil de armazenar e aplicar, além de representar uma inovação inédita.

Os resultados obtidos até agora chamam atenção. A tecnologia já foi testada em mais de seis culturas agrícolas diferentes, sempre com resultados positivos. Em uma fazenda de maracujá na Bahia, por exemplo, o uso do bioinsumo aumentou a produtividade em cerca de 75%, gerando um ganho estimado de aproximadamente R$ 70 mil por hectare plantado.

Além de proteger as lavouras, o produto também funciona como um biofertilizante, contribuindo para o desenvolvimento das plantas sem causar impactos negativos ao meio ambiente ou aos microrganismos benéficos presentes no solo.

“É uma tecnologia nacional que pode substituir gradualmente produtos mais poluentes, diminuir a contaminação do solo e da água e contribuir para uma agricultura mais sustentável”, destaca Maite. Depois de mais de uma década de pesquisas, a tecnologia já ultrapassou os testes de laboratório e vem sendo avaliada em fazendas comerciais. O projeto possui duas patentes depositadas e deu origem à startup Tolveg, criada por ex-alunas da UFRJ para levar a inovação ao mercado em escala comercial.

Hoje, a empresa trabalha para ampliar a capacidade de produção e atender a demanda já existente pelo bioinsumo. A iniciativa também integra o Agrotec Inova Trip UFRJ, grupo contemplado em um programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) que aproxima pesquisadores, empresas e produtores rurais para desenvolver soluções voltadas às necessidades do setor agrícola. E conta com o apoio do Dr. Raul Carriello Rosa, pesquisador na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

 

 

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