Embrapa lança primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens para pastagens no Cerrado
Nova forrageira BRS Carinás promete elevar produtividade pecuária e ampliar eficiência em sistemas integrados
11:40
Fonte: CNA
A Embrapae a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto) lançaram nesta semana a BRS Carinás, primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens desenvolvida no país.Recomendada inicialmente para o bioma Cerrado, a nova forrageira se destaca pela alta produção de biomassa, maior capacidade de suporte animal e adaptação a sistemas integrados de produção.
Alta produtividade e maior ganho por área
Segundo a Embrapa, a BRS Carinás pode alcançar até 16 toneladas de matéria seca por hectare, com elevada produção de folhas e melhor desempenho zootécnico em relação à tradicional cultivar Basilisk, conhecida como “braquiarinha”.Nos testes conduzidos pela instituição, a nova cultivar apresentou:
18% mais produção de forragem na estação chuvosa frente à Basilisk;
40% mais massa de forragem no período seco, quando manejada para vedação;
12% maior ganho de peso vivo por hectare em bovinos de corte.
Outro diferencial apontado pelos pesquisadores é sua baixa exigência em fertilidade, com tolerância a:
solos ácidos;
áreas com baixo teor de fósforo;
ambientes de menor investimento tecnológico.
Segundo a Embrapa, isso amplia o potencial de uso da cultivar em regiões de pecuária extensiva.Foco em integração lavoura-pecuáriaA BRS Carinás também foi desenvolvida para atender à crescente demanda por sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).De acordo com os pesquisadores, sua elevada produção de palhada favorece:
cobertura de solo na entressafra;
formação de pasto temporário para pastejo;
manutenção da produtividade agrícola subsequente.
Além disso, a cultivar não apresentou interferência negativa sobre cultivos anuais em testes conduzidos pela Embrapa.
Alternativa para diversificação das pastagens
Até então, a Basilisk era a única cultivar comercial de Brachiaria decumbens disponível no mercado brasileiro.Introduzida no Brasil na década de 1960, ela ainda figura entre as cinco braquiárias com maior área de multiplicação de sementes no país, apesar de limitações como baixa resistência a cigarrinhas.Segundo a Embrapa, a BRS Carinás surge como alternativa para diversificar áreas hoje ocupadas pela Basilisk, especialmente em regiões de baixa fertilidade.A expectativa da Embrapa é de que, após novos estudos, a cultivar possa futuramente ser recomendada também para:
outros biomas brasileiros;
países da América Latina com sistemas baseados em Brachiaria decumbens.