Estudo da Embrapa aprimora cálculo de carbono armazenado na cana-de-açúcar
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Fonte: Pexels
Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente desenvolveram uma nova metodologia para estimar o estoque de carbono na biomassa da cana-de-açúcar, permitindo cálculos mais precisos sobre a quantidade de carbono armazenada pela cultura. O modelo utiliza a produtividade agrícola como base e incorpora diferenças regionais, temporais e de manejo, contribuindo para avaliações mais consistentes da contribuição da bioenergia para a mitigação das mudanças climáticas.Segundo a Embrapa, a proposta busca superar uma limitação dos fatores de conversão atualmente utilizados em avaliações internacionais, que empregam valores padrão (default) e, muitas vezes, não refletem a diversidade de solos, condições climáticas, sistemas de produção e níveis de produtividade encontrados no Brasil.Para desenvolver o novo indicador, os pesquisadores realizaram uma ampla revisão da literatura científica sobre biomassa da cana-de-açúcar produzida no país. O trabalho resultou na definição do CFSUG, fator de carbono da biomassa da cana, estimado em 0,133, com baixo nível de incerteza."A proposta responde a uma limitação importante, já que valores padrão utilizados em avaliações internacionais podem não representar adequadamente a diversidade brasileira de solos, clima, manejo e produtividade", afirmou Thayse Hernandes, bolsista da Embrapa Meio Ambiente.A pesquisadora Nilza Patrícia Ramos, da Embrapa Meio Ambiente, explicou que o fator foi desenvolvido a partir da consolidação de estudos científicos realizados no Brasil, permitindo maior representatividade das condições nacionais.Ao aplicar o novo fator às mudanças diretas do uso da terra relacionadas ao cultivo de cana-de-açúcar entre 2000 e 2019, os pesquisadores identificaram um balanço negativo de dióxido de carbono (CO₂), indicando remoção líquida de carbono da atmosfera. A estimativa média foi de aproximadamente 4,8 milhões de toneladas de CO₂ removidas por ano, com intervalo de incerteza entre 0,5 milhão e 9,1 milhões de toneladas anuais.Os resultados também mostram que 62% dos municípios produtores de cana apresentaram remoção líquida de carbono quando aplicado o novo fator, percentual superior ao observado em estudos anteriores baseados em parâmetros internacionais. Segundo a Embrapa, o resultado reforça a importância da utilização de dados regionalizados para evitar distorções na avaliação dos impactos ambientais da expansão da cultura.Além de contribuir para os inventários nacionais de emissões de gases de efeito estufa, a metodologia poderá apoiar decisões de empresas, produtores rurais, certificadoras e formuladores de políticas públicas. De acordo com a instituição, como o fator está diretamente relacionado à produtividade agrícola, ele poderá ser atualizado à medida que novas informações sobre manejo e produção estejam disponíveis.