Nova tecnologia promete ganhos adicionais de R$ 34 milhões por ano em usinas de etanol de milho
Geração de leveduras permite moer mais sem gastos em infraestrutura e gera até 9% a mais do biocombustível
17:46
Uma nova geração de leveduras desenvolvida por pesquisadores da Lallemand Biofuels & Distilled Spirits (LBDS), nos Estados Unidos, conseguiu reduzir o tempo de fermentação nas usinas de milho de 55 para até 45 horas (redução de 18%), viabilizando até quatro bateladas (moagens) adicionais por mês.De acordo com a empresa, usinas no Brasil que já utilizam a nova geração da levedura registraram um aumento médio do número de moagens em 16%, resultando em cerca de 50 mil toneladas de milho extra moído por ano. O avanço se refletiu em ganhos de produtividade de etanol de até 9%, gerando uma produção de 10 milhões de litros/ano extras de etanol para uma usina com moagem de 1.000 toneladas/dia.Segundo a LBDS, a nova tecnologia rompe o ciclo padrão de fermentação, atacando diretamente o gargalo operacional. A conclusão mais rápida do processo garante a disponibilidade antecipada dos tanques para novas fermentações, elevando o volume de produção sem demandar a instalação de novos fermentadores.Os dados obtidos com a nova geração de leveduras mostram que o ganho de velocidade de fermentação pode gerar um aumento de receita de R$ 30 milhões anuais - o equivalente a cerca de R$ 85 por tonelada de milho processado - sem a necessidade de aumento de Capex em infraestrutura e de OPEX (manutenção de trocadores de calor, bombas, limpeza, instrumentação e riscos operacionais).Além destes ganhos, de acordo com a LBDS, biorrefinarias que utilizaram a nova levedura reduziram os gastos com insumos. A glucoamilase, enzima que precisa ser inserida durante o processo de fermentação na usina, já é produzida pela própria levedura, reduzindo em até 89% - recorde no setor - a necessidade de aplicação externa de enzimas.A dispensa de aplicações externas de enzimas, de acordo com os resultados observados nos testes, gera uma economia de aproximadamente R$ 4,2 milhões de reais por ano, considerando uma referência operacional de moagem de 1.000 toneladas/dia.Levando em conta o ganho de produtividade com o aumento de moagem e a redução no uso de enzimas, a nova tecnologia pode aumentar a receita das usinas em pouco mais de R$ 34 milhões ao ano.A empresa lembra que além da glucoamilase produzida pela nova levedura, ela possui um pacote enzimático de atividades secundárias (mantido em segredo industrial), que permite quebrar mais cadeias de amido e consequentemente aumentar a produção de etanol, reduzindo o Açúcar Residual Total (ART) - açúcar que deixa de ser transformado em etanol.Outra característica apontada pelos pesquisadores é uma resistência superior a fatores que normalmente drenam a rentabilidade da usina. Em picos de temperatura de até 37ºC, em condições industriais, a nova levedura manteve o metabolismo ativo e conseguiu reduzir em 14% a produção de glicerol, consequentemente, resultando na produção de mais etanol.Além do estresse térmico, a nova levedura apresenta maior tolerância a ácidos orgânicos provenientes de contaminações e ao aumento de sólidos, reduzindo o risco de fermentações incompletas.“Estamos realizando investimentos contínuos em tecnologia para otimizar nossos processos e elevar os patamares de produtividade. Nosso objetivo é claro: acompanhar o ritmo acelerado de crescimento do mercado de etanol de milho no Brasil, entregando eficiência operacional e sustentabilidade em cada etapa da produção”, afirma Fernanda Firmino, vice-presidente da LBDS na América do Sul.