Últimas notícias
Ciência e Tecnologia

Pesquisa amplia uso do cajueiro para além da indústria de alimentos

Tecnologia desenvolvida na Unicamp modifica goma da fruta, abrindo possibilidade para seu uso no setor de cosméticos

15:15

Fonte: Embrapa
Fonte: Embrapa
Tradicionalmente utilizado na produção de sucos e castanhas, o cajueiro, planta nativa do Nordeste brasileiro, pode ganhar uma nova aplicação na indústria. Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma tecnologia capaz de modificar fisicamente a goma de cajueiro, ampliando sua capacidade de atuar como emulsificante e abrindo possibilidades de uso nos setores de alimentos, cosméticos e outros segmentos industriais.

A tecnologia foi desenvolvida pelo professor da FEA Unicamp, Marcelo Cristianini, e pela pesquisadora Bruna Castro Porto, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

“A goma arábica é utilizada para ajudar a misturar e estabilizar substâncias que normalmente não se misturam, como óleo e água. Apesar de sua ampla aplicação industrial, sua disponibilidade e seu preço podem sofrer variações relacionadas às condições de produção e ao mercado internacional. Nesse contexto, nós investigamos o potencial de uma matéria-prima de origem nacional e renovável como a goma extraída do cajueiro”, explica Cristianini. A goma de cajueiro é um polissacarídeo natural, uma molécula de grande tamanho formada pela união de açúcares, que pode ser extraída do caule da planta.

Da goma de cajueiro a um novo ingrediente industrial

O potencial da tecnologia, no entanto, vai além da indústria de alimentos. Por apresentar propriedades emulsificantes, a goma de cajueiro com a tecnologia também pode ser utilizada em cosméticos e outros produtos industriais, incluindo formulações voltadas para cuidados com os cabelos.

A tecnologia desenvolvida na Unicamp despertou, por exemplo, o interesse da empresa Symrise, que desenvolve ingredientes e soluções para diferentes mercados, incluindo o de cuidados pessoais. A empresa conheceu a tecnologia por meio da Agência de Inovação Inova Unicamp, responsável por aproximar a pesquisa desenvolvida na Universidade de potenciais parceiros do setor empresarial e apoiar a estruturação de oportunidades de colaboração.

A parceria foi formalizada por meio de um Acordo de Transferência de Material (Material Transfer Agreement – MTA), que permite à empresa receber amostras da tecnologia para realizar testes e pesquisas de interesse. No caso da goma de cajueiro, a Symrise avalia seu potencial principalmente em aplicações para cabelos, incluindo formulações de shampoos e condicionadores voltados especialmente para cabelos cacheados.

Próximos passos

A pesquisa ainda está em etapa de desenvolvimento e avaliação das aplicações. Entre os próximos passos está a otimização do processo de modificação da goma, de forma a permitir a produção de quantidades maiores de amostras para novos testes.

 

Mais Notícias