Pesquisa da Embrapa amplia potencial do controle biológico contra a podridão cinzenta
Ajustes no cultivo do fungo Clonostachys rosea aumentam sua eficiência no combate à doença, que afeta mais de 200 culturas agrícolas
14:55
Fonte: Renata Gava (Embrapa)
Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente desenvolveram uma técnica que pode ampliar a eficiência do controle biológico da podridão cinzenta, doença causada pelo fungo Botrytis cinerea e responsável por perdas em mais de 200 culturas agrícolas no mundo.O estudo mostrou que ajustes nas condições de cultivo do fungo benéfico Clonostachys rosea aumentam a produção de estruturas responsáveis por sua reprodução e resistência, tornando-o mais promissor para o desenvolvimento de bioinsumos destinados ao controle da doença.Segundo o pesquisador Gabriel Mascarin, a podridão cinzenta está entre as principais enfermidades da agricultura por atingir uma ampla variedade de espécies vegetais e provocar prejuízos tanto durante o cultivo quanto no período pós-colheita."A busca por alternativas ao uso intensivo de defensivos químicos inclui o uso de fungos benéficos como o Clonostachys rosea, que consegue atacar outros fungos nocivos, estimular mecanismos naturais de defesa das plantas e produzir substâncias capazes de inibir patógenos", explicou.A pesquisa avaliou o impacto da disponibilidade de oxigênio e da proporção entre carbono e nitrogênio no cultivo do fungo. Os resultados mostraram que maior aeração favorece significativamente a formação de conídios — estruturas responsáveis pela reprodução — e de microscleródios, estruturas resistentes que garantem maior sobrevivência do microrganismo em condições adversas.De acordo com o pesquisador Wagner Bettiol, a equipe comparou diferentes condições de cultivo para identificar quais favoreciam a produção dessas estruturas e dos metabólitos produzidos pelo fungo."Variamos a entrada de ar e comparamos diferentes composições nutricionais para avaliar a produção de cada tipo de estrutura, além dos compostos metabólitos produzidos pelo fungo durante o crescimento", afirmou.Os pesquisadores observaram ainda que uma maior relação entre carbono e nitrogênio favoreceu a produção de conídios quando havia boa circulação de ar, enquanto os microscleródios foram formados apenas em meios com menor proporção de carbono em relação ao nitrogênio.Na etapa prática da pesquisa, as diferentes estruturas produzidas pelo fungo e os líquidos resultantes da fermentação foram transformados em grânulos solúveis em água, permitindo aplicação semelhante à de defensivos agrícolas convencionais.Segundo a pesquisadora Márcia Assalin, os materiais foram testados em tomate-cereja inoculado com o fungo causador da podridão cinzenta, reduzindo a incidência da doença em todos os tratamentos avaliados.Além disso, análises químicas identificaram a presença de sorbicilinoides, compostos naturais com ação antifúngica produzidos durante a fermentação do Clonostachys rosea. Os pesquisadores acreditam que essas substâncias também contribuam para a proteção das plantas, ampliando o potencial do fungo como ferramenta de controle biológico na agricultura.