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Representantes de 14 países conhecem a ciência que viabilizou a agricultura no Cerrado

Maioria dos visitantes, que antes associava a imagem do Brasil ao desmatamento para cultivos, conheceram de perto boas praticas agrícolas e ativos ambientais do País

16:59

Fonte: Embrapa
Fonte: Embrapa
Representantes de 14 países de quatro continentes – África, América do Sul, Europa e Oceania – estiveram na Embrapa Cerrados na primeira semana de outubro para conhecer como a pesquisa pública vem contribuindo para transformar o Cerrado em uma das mais importantes regiões produtoras de alimentos do mundo. Na oportunidade, os visitantes conheceram iniciativas, tecnologias e boas práticas da Embrapa nas áreas de inovação, pesquisa agropecuária e desenvolvimento sustentável, entre elas a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e a Bioanálise de Solo (BioAS).

No dia 6, foi a vez de participantes do Nuffield Global Focus Programme 2026. No dia 7, o centro de pesquisa recebeu uma delegação de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em visita organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

O Nuffield Global Focus Programme seleciona agricultores e profissionais do setor agropecuário de todo o mundo para uma viagem de estudos de 45 dias por diferentes continentes. O grupo deste ano é formado por representantes da indústria avícola, da pecuária, da produção de grãos e de mel, além de cientistas, pesquisadores agrícolas e empreendedores do Reino Unido, da Austrália, do Zimbábue, do Malaui, da Holanda, da Irlanda e do Brasil.

Na Embrapa Cerrados, o objetivo foi conhecer o papel da Empresa no desenvolvimento agrícola do bioma e discutir tecnologias com impacto direto na produção, especialmente em fertilidade e biologia do solo, sistemas integrados e cultivos nativos. “A Embrapa é um lugar de pesquisa que embasa os conhecimentos do Brasil, principalmente do bioma Cerrado. A ideia foi trazer produtores de todos os cantos do mundo para beber da fonte das informações produzidas aqui, ver o potencial de produção e de pesquisa do país e vivenciar, com as próprias mãos e os próprios olhos, a produção brasileira”, contou Luciana Klienam, integrante do Nuffield Brasil.

Mudando a imagem do Brasil

Segundo Sarah Whalley, cientista agrícola e gerente da Cicada Agritech, do Zimbábue, os estrangeiros reconhecem o Brasil como potência agrícola, mas desconhecem o histórico que levou a esse cenário. “Outras agriculturas são muito mais antigas. Aqui estamos falando de uma transformação que ocorreu, talvez, nos últimos 30 anos, e isso impressiona”, disse.

A pesquisadora contou que o Brasil sempre foi referência para o seu país: “Agricultores zimbabuanos fazem intercâmbios educacionais por aqui desde a década de 1990. Mesmo assim, a visita trouxe novidades para mim”.

Ela observou que a imagem do Brasil ainda está muito associada ao desmatamento para o cultivo de soja, mas que, ao conhecer parte das pesquisas e da produção agrícola, percebeu que essa imagem não corresponde totalmente à realidade: “Fiquei muito surpresa com a proteção da biodiversidade nas propriedades rurais. Eu não sabia que o Brasil tem essa exigência em todo o País. É realmente inspirador. Também me chamaram a atenção os sistemas integrados e a fixação de nitrogênio na produção de soja. É estimulante ver como os municípios e o governo nacional estão avançando na recuperação de pastagens degradadas e no reflorestamento”.

Segundo a assessora da Gerência de Relações Institucionais da ApexBrasil, Ana Lobato, o encontro buscou apresentar metodologias de atração de investimentos, inteligência de mercado, promoção de exportações e capacitação. A programação incluiu ainda visitas ao Instituto Butantan e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em São Paulo.

 

 

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