São Paulo lança projeto-piloto para armazenamento de carbono da cana-de-açúcar
Parceria entre governo, universidades e empresas prevê investimento de R$ 30 milhões para desenvolver tecnologia de descarbonização no setor sucroenergético.
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Nesta quarta-feira (10), o governo de São Paulo anunciou a criação do primeiro projeto-piloto brasileiro de captura e armazenamento de carbono biogênico proveniente da produção deetanol de cana-de-açúcar.A iniciativa foi formalizada durante a Semana do Meio Ambiente, que reuniu a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) e representantes do setor produtivo de biocombustíveis.O projeto será desenvolvido por meio do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio), criado para fomentar pesquisas e tecnologias voltadas à remoção de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.Segundo a Semil, o CTCCSBio foi selecionado em edital da Fapesp e atuará em cinco frentes principais: aspectos socioambientais, regulação, tecnologia, infraestrutura e mercado. O objetivo é desenvolver estudos de viabilidade técnica, econômica e regulatória para a implementação da tecnologia BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage) no Brasil.A iniciativa reúne também conta com o apoio da Petrobras, o Grupo São Martinho e o escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados. O investimento previsto é de R$ 30 milhões, com recursos provenientes da USP, do setor privado e do governo estadual.A tecnologiaBECCS permite capturar e armazenarpermanentemente o carbono emitido durante a produção deetanol e açúcar. Como a cana-de-açúcar absorve CO₂ durante seu crescimento, o processo pode resultar na produção de um combustível considerado “carbono negativo”, contribuindo para a redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa.De acordo com a secretária da Semil, Natália Resende, o projeto está alinhado às metas do Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e do Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050). A avaliação é que a tecnologia poderá desempenhar papel estratégico na descarbonização da agroindústria paulista e na geração de créditos de carbono para o mercado.