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Sistema agroflorestal dobra carbono no solo e mantém produtividade de feijão, aponta Embrapa

Experimento no Cerrado mostra ganhos ambientais e produtivos em comparação ao cultivo convencional

14:43

Fonte: Rodrigo Peixoto (MTb 1.077/GO)
Embrapa Arroz e Feijão
Fonte: Rodrigo Peixoto (MTb 1.077/GO) Embrapa Arroz e Feijão
Um experimento conduzido pela Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás (GO), demonstrou que o Sistema Agroflorestal (SAF) foi capaz de dobrar o carbono estocado no solo em relação ao sistema convencional de rotação entre soja e milho.

Ao longo de seis anos, o acúmulo médio foi de 2,24 toneladas de carbono por hectare ao ano. No período, o teor de carbono orgânico no solo aumentou de cerca de 14 para mais de 27 toneladas por hectare, na camada de 0 a 20 centímetros.

O experimento foi realizado em uma área de 1 hectare na Fazenda Capivara, com o plantio de espécies nativas do Cerrado, como aroeira, cagaita e baru, em consórcio com culturas agrícolas.

Nas entrelinhas, foram utilizados adubos verdes, como a crotalária, seguidos do cultivo de feijão em sistema de plantio direto. O manejo foi repetido ao longo dos anos, até o fechamento do dossel das árvores.

Segundo os pesquisadores, o aumento do carbono está diretamente ligado à maior produção de biomassa e ao aporte contínuo de matéria orgânica ao solo.

 

Produção de feijão se mantém viável


Mesmo em sistema agroecológico, o feijoeiro apresentou produtividade superior a 1.000 kg/ha.

“A produção de feijão comum em um SAF é perfeitamente viável, contribuindo para a segurança alimentar. [...] o rendimento em torno de 1 tonelada por hectare representa um bom resultado para a safra de verão em sistemas agroecológicos no Cerrado”, afirmou o pesquisador Agostinho Didonet.

De acordo com a Embrapa, o sistema já vem sendo replicado em propriedades no interior de Goiás, em parceria com a Emater Goiás e a Universidade Federal de Goiás.

“[...] o modelo do SAF [...] já foi replicado e permanece estruturado em propriedades rurais em vários municípios do interior do estado de Goiás”, destacou Didonet.

 

Benefícios ambientais e adaptação climática


Além do ganho produtivo, o SAF contribui para a mitigação das mudanças climáticas e melhoria do microclima.

Segundo a pesquisadora Márcia Carvalho, da Embrapa Pesca e Aquicultura, o sistema “é capaz de melhorar a biodiversidade e o microclima [...] além de capturar carbono da atmosfera por meio das plantas para o solo”.

Os pesquisadores destacam que o SAF pode assumir múltiplas funções, como:

  • recuperação de nascentes e matas ciliares;

  • produção de madeira, energia e alimentos;

  • abrigo para fauna e polinizadores;

  • conservação da biodiversidade.

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