Descoberta deve acelerar o melhoramento genético da cultura, ampliando a produtividade, a resistência a doenças e o desenvolvimento de novos produtos
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Fonte: Wenderson Araujo/Trilux (CNA)
Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Embrapa Amazônia Orientalconcluíram, pela primeira vez, o sequenciamento do genoma do açaizeiro (Euterpe oleracea Mart.), avanço que deve acelerar o desenvolvimento de novas cultivares com maior produtividade, teor de antocianinas e resistência a doenças.Os resultados foram publicados no artigo The genome sequence of the açaí berry (Euterpe oleracea Mart.) and RNA-Seq analysis of the fruit ripening, na revista científica Genome.Segundo os pesquisadores, o mapeamento genético permitirá identificar, de forma mais rápida, os genes responsáveis por características de interesse agronômico, reduzindo em até três vezes o tempo necessário para as etapas de avaliação e seleção realizadas no melhoramento genético convencional.O estudo foi desenvolvido a partir de amostras da cultivar BRS Pai d'Égua, pertencente ao banco genético da Embrapa Amazônia Oriental. A instituição também forneceu frutos de variedades de açaí roxo e do chamado "açaí branco", enquanto o Laboratório de Engenharia Biológica (EngBio), da UFPA, foi responsável pela extração, sequenciamento do DNA e montagem do genoma.A comparação entre as variedades revelou que a coloração roxa dos frutos está associada à ativação de uma enzima responsável pela síntese de antocianinas, compostos naturais com elevado potencial antioxidante. Já o açaí branco apresenta uma inibição dos genes responsáveis pelo início desse processo.De acordo com a pesquisadora Elisa Moura, da Embrapa Amazônia Oriental e uma das autoras do estudo, o sequenciamento permitirá identificar marcadores genéticos capazes de antecipar características como produtividade e teor de antocianinas, reduzindo o tempo de espera de cerca de seis anos exigido pelas avaliações em campo.Além do melhoramento genético, o conhecimento do genoma também poderá auxiliar na identificação de genes relacionados à resistência a doenças e no desenvolvimento de variedades mais adaptadas ao cultivo em terra firme, uma das principais linhas de pesquisa da Embrapa, já que o açaizeiro é naturalmente encontrado em áreas de várzea.Segundo o professor Rafael Baraúna, do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA e coautor do trabalho, o sequenciamento também cria uma base para futuras pesquisas sobre a biologia da espécie e para aplicações biotecnológicas.A identificação de genes ligados à produção de compostos de interesse, como antioxidantes e corantes naturais, poderá permitir o desenvolvimento de processos industriais utilizando microrganismos, como bactérias e leveduras, para produzir essas moléculas em larga escala, ampliando o potencial de uso do açaí nas indústrias farmacêutica, cosmética e de alimentos.