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Indústria de máquinas e equipamentos inicia 2026 em desaceleração, diz Abimaq

Receita líquida total do setor somou R$ 17,3 bilhões em janeiro, retração anual de 17%

15:27

Indústria de máquinas e equipamentos inicia 2026 em desaceleração, diz Abimaq
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos iniciou 2026 em desaceleração, após encerrar 2025 com crescimento moderado. No acumulado de 12 meses até janeiro, a receita líquida avançou 4,8%, totalizando R$ 296,9 bilhões, enquanto o consumo aparente cresceu 3,5%, mostra acompanhamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Em janeiro de 2026, porém, observou-se queda. A receita líquida total somou R$ 17,3 bilhões, com retração de 17,0% na comparação com janeiro de 2025, puxada pelo recuo tanto nas vendas domésticas (-19%) quanto externas (-10,8%). O consumo aparente atingiu R$ 26,5 bilhões, com queda interanual próxima de 20%, refletindo ambiente de crédito restritivo e uma economia em desaceleração das atividades produtivas.

:: Pressão estrutural das importações e perda de densidade industrial

As importações mantiveram peso relevante no mercado doméstico. Em 12 meses, somaram US$ 31,9 bilhões, com crescimento de 5,6%. O déficit comercial de máquinas e equipamentos permaneceu elevado, acima de US$ 18 bilhões, evidenciando a forte presença de fornecedores externos e maior pressão competitiva sobre a indústria nacional.

O tema merece destaque por se tratar de avanço estrutural das importações. Em 2025, as compras externas totalizaram US$ 32,2 bilhões, crescimento de 8,2%, superando o recorde anterior, registrado em 2013. O dado revela que o país vem transferindo parcela relevante do dinamismo industrial para o exterior.

A crescente presença da China, responsável por mais de 32% das máquinas importadas pelo Brasil, reflete não apenas competição baseada em escala, mas sobretudo políticas públicas estratégicas, com subsídios baseados em benefícios tributários, acesso a insumos e fatores de produção a custos reduzidos e apoio às exportações, entre outros instrumentos. Esse cenário amplia a necessidade de medidas de curto prazo voltadas ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional.

:: Impacto do cenário externo

As exportações registraram crescimento interanual em janeiro quando medido em dólares, embora tenham recuado frente ao mês anterior. No acumulado de 12 meses, mantiveram variação positiva. O cenário internacional, contudo, permanece desafiador, marcado por desaceleração global e maior fragmentação comercial.

Para os Estados Unidos também houve queda em relação ao mês de dez25, mas crescimento em relação ao mesmo mês de 2025. A expectativa é que com a decisão da Suprema Corte dos EUA, que invalidou parcela relevante das tarifas impostas pelos Governo Trump com base da Lei de emergência, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos voltem a ganhar importância naquele país.

:: Nível de utilização da capacidade instalada e carteira de pedidos

O nível de utilização da capacidade instalada permaneceu próximo de 80% no mês de janeiro de 2025, 5 p.p. acima o nível de 2025, já a carteira média de pedidos ficou ao redor de nove semanas, sugerindo estabilidade no curto prazo, mas indicando risco de maior ociosidade caso o ritmo de novos contratos não se fortaleça.

:: Perspectivas para 2026

As projeções indicam crescimento de 3,5% na produção física de máquinas e equipamentos e de cerca de 4% na receita líquida em 2026. O avanço deverá ser sustentado principalmente pelo mercado doméstico, com expectativa de expansão da demanda próxima de 5,6%, apoiada por projetos já contratados em infraestrutura e pela continuidade dos investimentos nas atividades extrativistas.

Por outro lado, os investimentos em setores mais dependentes de crédito, como a indústria de transformação, tendem a permanecer pressionados pela política monetária contracionista e pelo elevado nível de endividamento de empresas e famílias.

 

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