Brasil esgota cota de exportação de carne bovina para a China, avalia mercado
Com embarques de junho, setor estima que limite tarifário foi totalmente preenchido; frigoríficos devem suspender vendas até outubro
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Foto: aleksandarlittlewolf/Freepik
O Brasil deve ter esgotado, em junho, a cota anual de exportação de carne bovina in natura para a China, segundo avaliação de analistas, consultorias e agentes do setor pecuário. Com base nos dados daSecretaria de Comércio Exterior (Secex), que apontam embarques de 158,3 mil toneladas ao mercado chinês em junho, a expectativa é que o limite tarifário tenha sido integralmente preenchido.Com isso, o setor projeta que as exportações brasileiras de carne bovina in natura para a China serão interrompidas entre julho e setembro, sendo retomadas apenas em outubro, quando deixa de vigorar a tarifa adicional de 55% aplicada aos volumes embarcados acima da cota.Até maio, o Brasil já havia utilizado 65,4% da cota anual, com 723,7 mil toneladas internalizadas pela China, segundo dadosoficiais de Pequim. Ao considerar os embarques realizados em maio e junho, que somam mais de 313,1 mil toneladas, além de parte das cerca de 135 mil toneladas exportadas em abril e ainda em trânsito, a avaliação do mercado é que o volume autorizado já foi totalmente alcançado.Como o transporte marítimo entre Brasil e China leva, em média, 40 dias, executivos da indústria frigorífica estimam que o preenchimento da cota só será oficialmente reconhecido pelas autoridades chinesas no fim de agosto. Ainda assim, a tendência é que as vendas sejam interrompidas antecipadamente para evitar a incidência da tarifa total de 67% — composta pelos 12% da tarifa de importação e pela sobretaxa de 55% aplicada aos volumes acima da cota — considerada economicamente inviável pelo setor.A expectativa é que praticamente todas as 62 plantas frigoríficas brasileiras habilitadas a exportar carne bovina in natura para a China suspendam a produção destinada a esse mercado entre julho e setembro. Algumas unidades poderão adotar medidas como férias coletivas ou redirecionar parte da produção para outros destinos.O mercado também avalia que os importadores chineses deverão retomar as compras apenas em outubro, uma vez que as cargas embarcadas no último trimestre de 2026 chegarão aos portos chineses já no início de 2027. Para o próximo ano, a cota de importação da China será ampliada de 1,106 milhão para 1,128 milhão de toneladas.