Brasil pode retomar exportações de carne de frango para a UE em setembro, diz ABPA
Missão sanitária europeia visitará empresas brasileiras no fim de agosto para verificar cumprimento das regras sobre uso de antimicrobianos
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O Brasil poderá retomar as exportações de carne de frango para a União Europeia (UE) a partir de setembro, afirmou nesta terça-feira (28) o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. A expectativa está condicionada ao resultado da missão de inspeção sanitária que representantes do bloco europeu realizarão no país no fim de agosto.Segundo Santin, a comitiva avaliará se as empresas brasileiras cumprem as exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos ao longo de toda a cadeia produtiva da carne de frango.A inspeção ocorre após a decisão da União Europeia de retirar o Brasil, a partir de 3 de setembro, da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. A medida foi adotada sob a alegação de que o país não conseguiu comprovar o atendimento das normas europeias sobre o uso de antimicrobianos em toda a cadeia de produção de aves, suínos, bovinos e outras espécies.Apesar do curto intervalo entre a visita dos inspetores e a entrada em vigor da restrição, Santin demonstrou confiança em uma solução favorável."É possível voltar à exportação de frango em setembro, sim. A União Europeia já fez visitas anteriores, já verificou isso no dia a dia", afirmou. "Vamos continuar fazendo o que sempre fizemos. Não usamos promotores de crescimento para a União Europeia nem antibióticos de uso humano. As empresas brasileiras não estão fazendo nada diferente do que sempre fizeram."Segundo o executivo, uma das possibilidades é que as autoridades europeias aceitem as informações levantadas durante a missão antes mesmo da conclusão do relatório final, o que permitiria a retomada das exportações sem necessidade de aguardar o encerramento formal do processo. Outra alternativa seria a convocação de uma reunião extraordinária para deliberar sobre o tema.Caso a autorização não seja concedida, Santin afirmou que o setor tem condições de redirecionar os volumes destinados ao mercado europeu para outros países importadores ou para o mercado doméstico.
Cotas do acordo Mercosul-União Europeia
Durante o mesmo evento, Santin também comentou as negociações entre os países do Mercosul para definir a distribuição das cotas de exportação de carnes previstas no acordo comercial com a União Europeia.Segundo ele, ainda não houve consenso entre as entidades representativas de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e um novo encontro presencial será realizado entre os dias 4 e 6 de agosto, durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo.Pelo acordo, o Mercosul terá uma cota compartilhada de até 180 mil toneladas de carne de frango com isenção tarifária, volume que será ampliado gradualmente ao longo dos próximos anos. Em 2026, a cota inicial de 20 mil toneladas já foi integralmente utilizada com exportações brasileiras, segundo a ABPA.No caso da carne suína, produto que o Brasil ainda não exporta para a União Europeia, a cota será de 25 mil toneladas entre produtos in natura e congelados, com tarifa intracuota de 83 euros por tonelada.Para o setor de ovos, o acordo prevê cotas finais de 3 mil toneladas de ovos processados e 3 mil toneladas de albuminas, ambas com isenção tarifária. O Brasil já atua nesse mercado junto ao bloco europeu.